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Decolagem autorizada: a hora das aeronaves da família 737 Max

A Boeing recebe voto de confiança e a demanda dispara após ajustes feitos no modelo envolvido em dois acidentes em 2018 e 2019

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2022, 08h00

Em 29 de outubro de 2018, um avião da companhia aérea da Indonésia Lion Air caiu no Mar de Java minutos após decolar de Jacarta. Os 189 viajantes morreram no acidente, o primeiro envolvendo a nova aeronave Boeing 737 Max, lançada apenas um ano antes, e o mais grave de toda a família 737. Menos de cinco meses depois, em 10 de março de 2019, a aeronave pertencente à empresa etíope Ethiopian Airlines tombou nos arredores do aeroporto de Adis Abeba, na Etiópia. A tragédia matou 157 passageiros e tripulantes. Como não poderia deixar de ser, agências de aviação suspenderam as operações do modelo, e em poucos dias ele deixaria os céus por tempo indeterminado. Parecia o fim de um dos projetos mais audaciosos da Boeing — mas definitivamente não foi. O Max não apenas voltou a voar como ajudou a fabricante americana a obter seus melhores resultados em três anos. E isso, ressalte-se, graças ao desempenho de seu até pouco tempo atrás questionado avião. Basta dar uma espiada nos números do último balanço da Boeing para confirmar que o 737 Max, de fato, decolou. No segundo trimestre, a empresa entregou 121 aeronaves, muito acima das 95 despachadas nos três primeiros meses do ano. O 737 Max liderou as encomendas, com 198 aviões enviados — de um total de 216 vendidos — a novos proprietários no primeiro semestre do ano. Até a Ethiopian Airlines, que sofreu um dos acidentes, recebeu um 737 Max em julho. Recentemente, a United Airlines anunciou a maior compra de aeronaves de sua história, com 200 aviões desse tipo encomendados. Também há pouco tempo, a Delta confirmou a aquisição de 100 unidades do 737 Max 10, modelo maior que espera a aprovação da Administração Federal de Aviação (FAA), a autoridade regulatória americana, para operar. As turbulências, portanto, ficaram para trás.

arte Boeing 737

O que explica a reviravolta? Em primeiro lugar, é preciso entender o que levou à queda das duas aeronaves. Análises feitas após os acidentes comprovaram que o avião apresentava falhas no software do sistema conhecido como Maneuvering Characteristics Augmentation System (MCAS), responsável pela estabilidade em determinadas manobras, e nos sensores de ângulo de ataque, que fornecem dados ao MCAS. A companhia foi acusada de fraude pela Justiça americana após esconder informações sobre os problemas e negligenciar a necessidade de treinamentos específicos, e fechou um acordo de mais de 2,5 bilhões de dólares. O valor inclui 500 milhões destinados às famílias das 346 vítimas. O CEO da Boeing na ocasião, Dennis Muilenburg, foi demitido como estratégia para retomar a confiança do mercado, e substituído por um executivo com longa trajetória na companhia, David Calhoun.

TRAGEDIA - Protesto de familiares das 346 vítimas: A Boeing pagou 500 milhões de dólares em indenização -
TRAGEDIA - Protesto de familiares das 346 vítimas: A Boeing pagou 500 milhões de dólares em indenização – (Mark Wilson/Getty Images)

A Boeing fez uma série de ajustes nas aeronaves. Os problemas nos sensores de ataque foram corrigidos e novas versões de software, instaladas. Para receber uma nova certificação da FAA, a empresa realizou 4 400 horas de testes de voo. Pilotos também passaram por treinamentos específicos. Antes, o 737 Max foi vendido como uma “atualização” do 737, o que permitiria o reaproveitamento do treinamento para modelos antigos. “Além disso, no período em que ficou no solo, o avião foi escrutinado e outras melhorias acabaram incluídas”, afirma Lito Sousa, engenheiro especialista em aviação e segurança aérea. É o caso do sistema de aterramento, que poderia causar curtos circuitos.

Com os problemas aparentemente reparados, as companhias aéreas voltaram a enxergar os atrativos da família 737 Max. “O avião é muito eficiente do ponto de vista do consumo de combustível e da capacidade de carga”, diz Lito Sousa. “Como as companhias estão sempre buscando levar mais cargas ou passageiros com menor consumo, o 737 Max se destaca em comparação com a concorrência.” A aeronave recebeu a aprovação da FAA para retomar os serviços em novembro de 2020, e a primeira empresa no mundo a fazer um voo com passageiros foi a brasileira Gol. Ela possui 34 modelos 737 Max que operam voos internacionais para a Flórida, nos Estados Unidos, e também realizam trechos domésticos. O número deverá chegar a 44 até o fim do ano. Não há dúvida: em 2022, o 737 Max só encontrou céu de brigadeiro.

Publicado em VEJA de 27 de julho de 2022, edição nº 2799

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