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De bilionário a condenado

Sentença dada contra o empresário Eike Batista estabelece pena de trinta anos de prisão e multa de 53 milhões de reais

O empresário Eike Batista foi condenado, na terça-feira 3, a trinta anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A sentença, dada pelo juiz Marcelo Bretas, também impôs o pagamento de multa no valor de 53 milhões de reais. Bretas considerou que Eike pagou 16,5 milhões de dólares em propina ao ex-governador Sérgio Cabral em troca de contratos com o governo estadual. O empresário ainda pode recorrer da sentença.

Detido preventivamente em janeiro de 2017, Eike Batista saiu em abril de sua cela, no presídio de Bangu, no Rio de Janeiro, por decisão do ministro Gilmar Mendes. Beneficiado com a prisão domiciliar, desde outubro conta com a progressão da pena para o regime de recolhimento noturno — sai para trabalhar e dorme em casa. Em sua sentença, Bretas diz que, ao definir a condenação, considerou não só a gravidade dos crimes cometidos pelo empresário, mas também o fato de suas ações terem sido “potencialmente capazes de contaminar o ambiente de negócios e a reputação do empresariado brasileiro”. Eike, que já foi o homem mais rico do Brasil, perdeu praticamente toda a sua fortuna. Embora a prisão lhe tenha deixado marcas (depois dela, passou a ostentar a calvície, antes disfarçada com perucas), ele leva vida normal: conversa com amigos sobre investimentos, faz planos e alimenta seu canal no YouTube, em que dá dicas de negócios a jovens profissionais.


A dama dos movimentos

O primeiro voo – Aos 18 anos, solista da Covent Garden Opera House

O primeiro voo – Aos 18 anos, solista da Covent Garden Opera House (Baron/Hulton Archive/Getty Images)

Quando criança, a inglesa Gillian Lynne era uma aluna tão ruim que sua mãe a levou ao médico para investigar se tinha algum problema. No consultório, diante da música que saía de um rádio, ela começou a dançar. Ao observá-la, o médico disse à mulher que sua única filha não tinha problemas, mas um talento. A mãe de Gillian morreu pouco depois, em um acidente de carro, mas a menina nunca mais parou de dançar. Em 1944, aos 18 anos, tornou-se solista na Covent Garden Opera House, em Londres. Quase vinte anos mais tarde, estreou como diretora e coreógrafa. As mais de sessenta coreografias que assinou, ousadas e enérgicas, misturavam movimentos clássicos com os de jazz. Seu trabalho mudou o padrão dos espetáculos musicais e rendeu-lhe honrarias como o título de dama da Ordem do Império Britânico. No mês passado, o produtor britânico Andrew Lloyd Webber rebatizou com o nome da bailarina o New London Theatre, casa de shows do West End que por anos foi palco de Cats, cuja coreografia foi assinada por Gillian. Assim como O Fantasma da Ópera, outro trabalho famoso da inglesa, Cats continua até hoje em cartaz em teatros da Europa e dos Estados Unidos. Gillian Lynne morreu no domingo 1º, devido a uma pneumonia, aos 92 anos.

Publicado em VEJA de 11 de julho de 2018, edição nº 2590