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Datas

Aos 78 anos, morre o maestro e educador venezuelano José Antonio Abreu

A inclusão pela música

A história de José Antonio Abreu renderia um filme sentimental na televisão venezuelana. O enredo: idealista percorre a periferia de Caracas disposto a ensinar música erudita às crianças — um caminho eficiente, segundo ele, para a inclusão social. O sonho de Abreu começou com doze alunos enclausurados num estacionamento, em 1975. Passadas décadas, El Sistema, o projeto do economista e maestro diletante, pôs mais de 1 milhão de crianças venezuelanas em contato com o mundo erudito. Seu método de educação foi exportado para sessenta países, inclusive o Brasil, onde tem ramificações em São Paulo (a Sinfônica de Heliópolis), Rio (a Sinfônica de Barra Mansa) e Bahia (a Neojibá). De El Sistema, ascendeu um dos maiores pop stars da regência contemporânea — Gustavo Dudamel, de 37 anos, o atual diretor artístico da Orquestra Sinfônica Simón Bolívar, menina dos olhos de Abreu, e, desde 2009, da Filarmônica de Los Angeles.

Nascido em 1939, na cidade de Valera, Abreu conduziu seu projeto musical com a ajuda do governo. De início, manteve uma postura apolítica e apartidária. O projeto sobreviveu a sete governos sem sofrer ingerências. O chavismo, no entanto, mudou o jogo. Hugo Chávez premiou o sonho de Abreu com 29 milhões de dólares anuais. Em contrapartida, as orquestras de El Sistema participaram de bom grado das campanhas bolivarianas. O adesismo tornou-se comprometedor no governo de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez. Abreu e Dudamel foram criticados pelo silêncio diante da repressão a manifestantes de oposição e pelo esforço de convencer o governo a construir uma sala de concertos em Barquisineto, cidade natal do maestro, em meio à devastadora crise econômica. El Sistema acabou maculado pela cumplicidade com o regime. Abreu morreu no sábado 24, aos 78 anos, de causas não reveladas — fazia tempo que sua saúde inspirava preocupação. A morte do educador foi lamentada por Maduro. “Estamos emocionados com a morte do maestro Abreu”, disse o ditador venezuelano num pronunciamento na TV.


Símbolo de luta

Coragem – Linda, em 1953: briga para estudar em escola só de brancos

Coragem – Linda, em 1953: briga para estudar em escola só de brancos (Carl Iwasaki/The LIFE Images Collection/Getty Images)

Oliver Brown estava razoavelmente confortável com a educação que sua filha Linda, de 8 anos, recebia numa escola pública em Topeka, no Kansas. Preocupava-se, porém, com a distância que a menina percorria entre sua casa e o ponto de ônibus mais próximo. Ao descobrir que existia um colégio vizinho, decidiu matriculá-la ali. Era 1951, e nos Estados Unidos imperavam leis segregacionistas. Oliver e Linda eram negros e o novo colégio permitia somente o ingresso de brancos. A família Brown travou uma briga judicial para revogar o impedimento. Em 1954, três anos depois, conseguiu-se a extinção da segregação racial nas escolas públicas, em um caso cujo desfecho abriu caminho para o fim das leis racistas. Em 1988, Linda incentivou sua irmã, Cheryl, a criar a Fundação Brown, dedicada à briga pela igualdade racial. Ela morreu no domingo 25, aos 75 anos, de causa não divulgada.


Ouvido para sucessos

O faro do produtor musical gaúcho Carlos Eduardo Miranda, ou simplesmente Miranda, era extraordinário. Ele lançou bandas brasileiras de renome como Raimundos, Skank e Mundo Livre S.A. Nos últimos anos, ganhou fama como jurado em programas do SBT, como Ídolos (2006). Morreu na noite de quinta-feira 22, um dia depois de completar 56 anos, vítima de um mal súbito, em São Paulo.

Publicado em VEJA de 4 de abril de 2018, edição nº 2576