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Daniel Pink: Pausa para o cafezinho

No livro 'Quando — Os Segredos Científicos do Timing Perfeito', guru explica que nossa concentração varia ao longo do dia e recomenda intervalos no trabalho

Há sempre uma hora certa para cada atividade? Não, mas há horários mais adequados. Existe o pico, a queda e a recuperação durante o dia. Em geral, a maior parte das pessoas tem o pico de manhã, e é quando devemos fazer as tarefas que exigem mais concentração. No início da tarde, é melhor organizar a agenda ou responder a e-mails. E, durante a recuperação, lá no fim da tarde ou noite, é melhor fazermos tarefas criativas e prazerosas. O tempo é uma ciência.

Entre outras recomendações de seu livro está evitar hospitais à tarde. Por quê? O trabalho hospitalar exige alta concentração, e a concentração diminui à tarde. Pesquisadores da Universidade Duke, com base em 90 000 cirurgias, descobriram que erros em anestesia são três vezes mais prováveis ​​em procedimentos que começam às 3 da tarde do que naqueles que se iniciam às 8 da manhã. Outra pesquisa, da Universidade da Pensilvânia, mostrou que enfermeiros e médicos têm menor probabilidade de lavar as mãos à tarde. É mais provável que os médicos prescrevam antibióticos desnecessários à tarde.

Qual é a importância de parar o trabalho para um cafezinho? Intervalos fazem diferença. Parar para o café não é fugir da rotina. Descobri, ao pesquisar a rotina de intervalos, que eles são ótimos para restaurar o humor e aumentar a produtividade. Sair para uma curta caminhada até o café pode melhorar o trabalho. A coisa mais inteligente que podemos fazer é programar dois ou três intervalos de quinze minutos todos os dias.

De que maneira você organiza sua rotina? Como hoje sei que nossa inteligência não permanece estática ao longo do dia e que o melhor momento para realizar uma tarefa depende da natureza dessa tarefa, reconfigurei minha programação diária. Agora, escrevo de manhã, quando minha atenção é maior. Respondo aos e-mails à tarde e deixo para o fim do dia o que exige pensamento mais solto.

Publicado em VEJA de 1º de agosto de 2018, edição nº 2593