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Carta ao Leitor: Uma vacina contra as mentiras

A euforia em torno dos bons resultados com imunizantes é aquilo mesmo que parece ser: confiança no conhecimento, na racionalidade, e não no histrionismo

Por Da Redação Atualizado em 20 nov 2020, 13h58 - Publicado em 20 nov 2020, 06h00

Depois de quase um ano da eclosão do novo coronavírus em Wuhan, na China, com 56 milhões de casos em todo o mundo e 1,4 milhão de mortes, das quais 167 000 no Brasil, a humanidade percebeu que o cuidado é o nome do jogo — distanciamento social, uso de máscara e permanente higienização das mãos são posturas compulsórias, que nos acompanharão por um bom tempo. Ainda que a estabilização da pandemia tenha autorizado alguma flexibilização, com a retomada parcial das atividades econômicas e do cotidiano, convém ficarmos atentos ao que está ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos, com a aceleração de registros e hospitais cheios. Atribui-se o recrudescimento a bares e restaurantes lotados, a reuniões de jovens adultos — ao anseio, enfim, de poder voltar a viver como antes. Mas talvez seja cedo e a cautela se impõe. Nos últimos dias, também no Brasil houve reversão das curvas, atalho para compreensível preocupação. Não é hora de baixar a guarda, e convém sempre seguir as determinações das autoridades responsáveis, atreladas a estudos epidemiológicos confiáveis. Agora, mais do que nunca, é hora de abandonar posturas negacionistas e manipuladoras em relação à Covid-19, como a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (talvez um dos motivos de seu fracasso na tentativa de reeleição), e, lamentavelmente, de Jair Bolsonaro. Apenas a ciência será capaz de nos devolver a esperança. Ela, e somente ela, tem as respostas.

Felizmente, há excepcionais novidades nessa seara. Na quarta-feira 18, a farmacêutica americana Pfizer, em parceria com a empresa de biotecnologia BioNTech, anunciou excelentes resultados na produção de uma vacina, já na fase 3 e derradeira dos testes: 95% de eficácia contra o vírus a partir do 28º dia de aplicação. Na véspera, a chinesa CoronaVac divulgara que a substância tinha produzido anticorpos em 97% dos voluntários analisados nas fases 1 e 2 — a CoronaVac é a vacina que será fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo. As duas notícias alvissareiras geraram ondas de entusiasmo, elevaram o valor das ações das companhias nas bolsas globais e serviram de alento ao mau humor. A euforia em torno dos bons resultados com imunizantes é aquilo mesmo que parece ser: confiança no conhecimento, na racionalidade, e não no histrionismo. É o que VEJA tem procurado desde as primeiras reportagens sobre a disseminação do vírus: seguir a trilha do bom senso, da informação de qualidade, a serviço do leitor. É o que fez a repórter Laryssa Borges, de 39 anos, se candidatar e ser aceita como voluntária do laboratório Janssen-Cilag, braço da Johnson & Johnson. Na terça-­feira 17, numa clínica do Rio, Laryssa recebeu a dose única de um imunizante — ou de um placebo, como manda a norma. “É uma sensação diferente de tudo que já vivi”, diz. “Há a curiosidade profissional, claro, mas ela se mistura às aflições e expectativas com que passamos a conviver desde que a pandemia chegou. É um misto de orgulho, ansiedade e, confesso, um pouco de medo do desconhecido.” O relato da jornalista (que também pode ser acompanhado no blog Diário da Vacina, no site de VEJA) e as respostas da ciência ao mais difícil desafio sanitário de nosso tempo começam na página 58. Boa leitura.

Publicado em VEJA de 25 de novembro de 2020, edição nº 2714

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