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Carta ao Leitor: Um sopro de esperança

Se forem aprovadas pelo Congresso Nacional, as propostas de transformação do Estado feitas pelo ministro Paulo Guedes serão um marco em nossa história

Basta olhar com um pouco mais de sensibilidade as ruas das grandes cidades brasileiras para perceber que o país vem experimentando nos últimos anos um de seus períodos de maior dificuldade na economia. O aumento da pobreza, em decorrência do desemprego — refletido nas tristíssimas e imensas filas formadas por aqueles que procuram vagas de trabalho —, é apenas uma das consequências das desastrosas opções de política econômica dos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Algumas decisões até promoveram o crescimento em uma primeira etapa, no entanto, como eram medidas claramente artificiais, acabaram resultando numa recessão terrível, que fez com que o produto interno bruto (PIB) atual seja menor que o de 2014. Apesar de suas várias falhas de comunicação, posturas discutíveis e atitudes equivocadas, é preciso reconhecer que o governo de Jair Bolsonaro vem exibindo coragem para mexer nas enferrujadas engrenagens que hoje amarram a produção de riqueza no Brasil.

A semana que se encerra trouxe mais uma importante demonstração desse compromisso: a apresentação de reformas estruturais que podem fazer com que o país ingresse, de fato, em um período de prosperidade. Se forem aprovadas pelo Congresso Nacional, as propostas de transformação do Estado feitas pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, serão um marco em nossa história — algo equivalente ao Plano Real. Entre outras mudanças bem-vindas, estão previstas novas regras para a carreira dos servidores públicos e propostas responsáveis para o ajuste fiscal da União. Somadas à reforma da Previdência, já aprovada, e a outras que serão concluídas nas próximas semanas, essas iniciativas apontam para um futuro promissor, capaz de apagar o que vivemos nos últimos tempos.

POBREZA POLÍTICA – Sem-teto em São Paulo e a ex-presidente Dilma: medidas artificiais levaram ao caos econômico, do qual o Brasil ainda tenta se livrar

POBREZA POLÍTICA – Sem-teto em São Paulo e a ex-presidente Dilma: medidas artificiais levaram ao caos econômico, do qual o Brasil ainda tenta se livrar (Nacho Doce/Reuters; Fernando Donasci/.)

A melhor notícia é que não se trata de planos ou profecias tão somente (leia a reportagem). A economia real começa, enfim, a dar alguns sinais concretos de recuperação — ainda que tímidos. São vários indicadores que revelam um potencial alvissareiro após um longo inverno. A geração de empregos, por exemplo, cresceu 34%, em comparação com os doze meses anteriores, provocando uma queda no índice de desemprego, de 12,3% para 11,8%, entre outubro do ano passado e o mesmo mês de 2019. As vendas no varejo, um dos setores que reagem primeiro na economia, cresceram 1,4% em igual período. No setor de serviços, outra prova de retomada: um aumento de 0,6%.

Com o Brasil deixando entrever alguma força de recuperação, seria realmente oportuno que o presidente da República e seus colaboradores tivessem a consciência de não atrapalhar. Crises políticas e manifestações agressivas derrubam, sim, a economia. E uma das explicações para que a atual retomada tenha demorado tanto é justamente a falta de confiança na capacidade deste governo de manter a estabilidade — requisito fundamental para a atração de investimentos. Conversas sobre a volta do AI-5 e ataques violentos a órgãos de imprensa só ajudam a reforçar temores quanto ao respeito à Constituição e podem ter efeitos nefastos nesse primeiro sopro de prosperidade. É importante destacar: embora sejamos 100% a favor das reformas que estão sendo apresentadas pelo governo Bolsonaro, jamais toleraremos qualquer deslize ditatorial. Para VEJA, o liberalismo econômico vem junto com o político. E um dos nossos principais valores é a defesa intransigente da democracia.

Publicado em VEJA de 13 de novembro de 2019, edição nº 2660