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Carta ao Leitor: Um grande ano para VEJA

1968, quando a publicação nasceu, foi um ano que marcou o Brasil e o mundo, que 'não terminou' e que voltará às paginas da publicação cinquenta anos depois

Por Da Redação Atualizado em 31 jan 2018, 15h02 - Publicado em 29 dez 2017, 06h00

“VEJA quer ser a grande revista semanal de informação de todos os brasileiros (…). O Brasil não pode mais ser o velho arquipélago separado pela distância, espaço geográfico, ignorância, preconceitos e regionalismos: precisa de informação rápida e objetiva a fim de escolher rumos novos. Precisa (…) estar bem informado. E este é o objetivo de VEJA.” Assim o fundador da Editora Abril, Victor Civita (1907-1990), anunciava aos leitores a missão de VEJA, que chegou pela primeira vez às bancas com a data de capa de 11 de setembro de 1968, uma quarta-feira. São palavras que, repetidas hoje, teriam a mesma relevância, cinquenta anos depois daquela aventura inaugural. O nascimento de VEJA em 1968, um ano dramático e inesquecível, “o ano que não terminou”, na bonita definição que dá título ao livro do jornalista Zuenir Ventura, não foi fruto do acaso. Ao contrário.

O Brasil amadurecia para ter uma revista como VEJA. O país estava prestes a mergulhar nas trevas da ditadura e da tortura, com o AI-5. Caetano, Gil e os tropicalistas desfolhavam a bandeira, traduzindo e adaptando aos humores e cores locais o que chegava de fora, fazendo do rock o bumba meu boi. O mundo saía às ruas para protestar contra tudo e todos, contra o comunismo e contra o capitalismo, contra a Guerra do Vietnã, de punho erguido, em meio a corpos crivados de balas, ao som dos Beatles e dos Rolling Stones. “O grande duelo no mundo comunista” foi a chamada de capa daquela VEJA nº 1, que tratava da queda de braço da União Soviética com um de seus satélites, a Checoslováquia que caminhava para um regime mais democrático, menos opressor — e terminaria esmagada.

Enfim, 1968 não foi um ano qualquer — outros tiveram imensa relevância, é verdade, como 1848, o da Primavera dos Povos na Europa; ou 1989, o ano da queda do Muro de Berlim. Mas nenhum deles ecoou tanto e durante tanto tempo. Depois de cinquenta anos, 1968 é para já, está aí, embora tenha virado o calendário cronológico. Uma reportagem especial desta edição mostra, a partir da página 69, os efeitos daqueles doze meses seminais nos dias de hoje, na política, no comportamento, na cultura, no nosso jeito de ser e entender o que nos cerca. Para enriquecer o pacote, e mostrar o 1968 que não acabou, a partir de 1° de janeiro, no Twitter de VEJA, publicaremos diariamente notícias daquele ano, como se estivessem acontecendo agora, hora a hora, minuto a minuto — é o VEJA 1968 AGORA. Um aperitivo pode ser visto ao longo desta edição impressa, com os tuítes de quem fez história há cinco décadas. É uma viagem no tempo — mas é também um pulo rumo ao futuro, aquilo que ainda será construído a partir do aprendizado de 1968. É a beleza da história do presente, cujo sinônimo pode ser simplesmente jornalismo. Jornalismo benfeito. Em 2018, na celebração de seu cinquentenário, VEJA promoverá eventos, terá edições especiais e uma plêiade de novidades digitais. Feliz Ano-Novo!

Publicado em VEJA de 3 de janeiro de 2018, edição nº 2563

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