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Carta ao Leitor: Um ano depois

VEJA retorna ao Hospital Israelita Albert Einstein para entender o que mudou depois dessa temporada de aprendizado na frente de batalha contra a Covid-19

Por Da Redação Atualizado em 18 fev 2021, 12h51 - Publicado em 19 fev 2021, 06h00

No próximo dia 24 de fevereiro, o Brasil recordará uma triste efeméride: há exatamente um ano, na segunda-feira de Carnaval, uma bióloga do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, recebeu por mensagem de Whats­App a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil — o de um executivo de 61 anos que fora a trabalho para a região da Lombardia, na Itália, hoje curado. Dois dias depois, na Quarta-Feira de Cinzas, o Ministério da Saúde divulgaria a informação. De lá para cá, tudo mudou. São 10 milhões de casos no país e mais de 241 000 mortes em decorrência da Covid-19. Houve — e ainda há — drama, tragédia, relatos de superação e recuperação, além de incessante e permanente embate entre a ciência e o obscurantismo alimentado pelas redes sociais. A economia foi profundamente afetada, o cotidiano é outro, trabalha-se parcialmente dentro de casa, e talvez não exista evidência mais melancólica da revolução a que fomos submetidos do que o cancelamento do Carnaval em 2021. Mudou também, como reflexo natural, o modo de fazer jornalismo, especialmente o de saúde, com repórteres forçados a se munir de coragem (e de cuidados, devidamente protegidos) para mostrar a vida como ela é.

Naquele já longínquo 2020, VEJA designou a editora Adriana Dias Lopes e o repórter fotográfico Egberto Nogueira para passar alguns dias nas instalações do Einstein, o pioneiro na lida com o vírus. Um ano depois, Adriana e Nogueira retornaram à reputada instituição hospitalar com um objetivo: entender o que avançou, o que mudou depois dessa temporada de aprendizado na frente de batalha. “No início, o clima era de incerteza e tensão, e agora a sensação é de muito mais segurança e convicções”, diz Adriana. “Mas há também cansaço e emoção.” Alguns dos entrevistados choraram ao lembrar das dificuldades, das noites em claro e da labuta de segunda a segunda, sem parar. É empenho que se repete em quase todos os hospitais brasileiros, públicos e privados, traduzido em novas posturas. Os corticoides agora são usados como primeira linha de tratamento — o que não ocorria antes, e que reduziu o tempo de internação e de mortes. Procura-se, hoje, detectar com velocidade os episódios de trombose associados à Covid-19, iniciativa que passava ao largo até muito recentemente.

Contudo, mesmo com os saltos de conhecimento, brotam ainda imprecisões e sustos em relação à pandemia, com o recrudescimento de casos e mortes e o surgimento de uma nova cepa. Há muitas dúvidas, evidentemente — mas a ciência trata de entendê-las para buscar respostas. Na comparação com 2020, porém, verifica-se uma colossal e valiosa diferença: a vacina, que já começou a ser aplicada também no Brasil, embora em ritmo lento e com episódios de falta de doses, como aconteceu no Rio de Janeiro. O próprio Einstein começou a trabalhar no desenvolvimento de uma vacina com o imunizante Covaxin, do laboratório indiano Bharat. São indícios de que a humanidade já aprendeu a lidar com o microrganismo e saberá sair desta com inteligência, apesar das perdas, apesar da dor. É o que revela a primorosa reportagem que começa na página 58, relato fiel dos obstáculos de nosso tempo, mas também da bonança que certamente virá.

Publicado em VEJA de 24 de fevereiro de 2021, edição nº 2726

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