Clique e assine com 88% de desconto

Carta ao Leitor: Do inferno aos céus

Nos últimos anos, diversos casos de pedofilia que envolvem padres vêm manchando a reputação da Igreja Católica

Por Da Redação - Atualizado em 12 jul 2019, 10h30 - Publicado em 12 jul 2019, 06h30

“Todos os que pela lei pecaram, pela lei serão julgados”, Romanos 2:12. Embora esse seja um versículo da Bíblia, não tem sido fácil para a Igreja Católica seguir tal ensinamento. Nos últimos anos, diversos casos de pedofilia que envolvem padres vêm manchando a reputação da instituição. O tema estourou primeiro nos Estados Unidos, na Arquidiocese de Boston, com a descoberta de que havia dezenas de sacerdotes implicados na prática e todo um sistema de acobertamento dos episódios que ocorriam, liderado na ocasião pelo cardeal Bernard Law. Tal situação foi brilhantemente exposta pelo jornal The Boston Globe e retratada no filme Spotlight — Segre­dos Revelados. De Boston, verificou-se que as atrocidades não estavam restritas à cidade americana, mas aconteciam em diversas paróquias ao redor do planeta, o que deixou o Vaticano numa situação vexaminosa a ponto de o papa Francisco declarar “vergonha e arrependimento”, publicando encíclicas para “desenraizar esta cultura de morte”.

No Brasil, onde a religião católica tem cerca de 123 milhões de adeptos, pouco se fala sobre o assunto. Em 2016, VEJA publicou uma capa referente ao abuso de um menor em Goiás. Nesta edição, trazemos uma reportagem mais robusta sobre o tema, com relatos e provas de abusos cometidos por figuras que deveriam zelar pela fé do seu rebanho — e não aproveitar-se da ingenuidade de garotos inocentes para saciar seus desejos mais lascivos.

A decisão de divulgar tais atrocidades não nos traz nenhuma satisfação nem serve a algum objetivo obscuro que só as mais criativas teorias da conspiração conseguem construir. Ao fazê-lo, estamos somente cumprindo o papel da imprensa séria — acompanhar, elogiar, criticar e, even­tual­mente, denunciar práticas e comportamentos criminosos. Não há uma agenda escondida, uma intenção, por exemplo, de ajudar a disseminação da fé evangélica no Brasil. Esse tipo de raciocínio, sem nenhum comprometimento com os fatos, pode até repercutir de forma prolífica nas redes sociais, mas, por ser binário e mentiroso, prejudica o debate qualificado de que o país tanto necessita.

Aliás, é importante ressaltar que não é somente na Igreja Católica que líderes espirituais, investidos de sua autoridade moral, cometem abusos contra seus fiéis. Recen­temente, o guru João de Deus, incensado por artistas e políticos, foi preso após surgirem mais de 300 relatos de assédio sexual. Há diversos exemplos em outras religiões. A questão que se coloca é que, no caso da Igreja, setores da instituição — contrários à orientação do próprio Sumo Pontífice — têm se mostrado resistentes, lá fora e aqui, em tomar as providências necessárias para que os culpados sejam devidamente punidos. Esqueceram o versículo Romanos 2:12. Confira todos os detalhes na reportagem, mais um fruto do jornalismo investigativo de VEJA.

Publicidade

A Conquista da Lua

No dia 20 de julho, o histórico pouso do homem em solo lunar completará 50 anos. Para celebrar tal façanha, VEJA preparou o livro A Conquista da Lua, com reportagens publicadas pela revista ao longo deste meio século, começando com o nascedouro do Projeto Apollo e chegando até o momento atual, quando empresas privadas, e não mais nações, passam a disputar a corrida espacial. A obra, que ajuda a entender toda a saga da humanidade na exploração do cosmo, pode ser adquirida em formato digital, na Amazon, por 9,99 reais.

Publicado em VEJA de 17 de julho de 2019, edição nº 2643

Publicidade