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Carta ao Leitor: Antes que seja tarde

Nesta edição de VEJA, trazemos uma reportagem que explica as razões pelas quais a privatização dos Correios é o melhor caminho

Na entrevista exclusiva que concedeu a VEJA, o presidente Jair Bolsonaro anunciou uma excelente notícia: a de que havia dado sinal verde para a privatização dos Correios. Espera-se que tal iniciativa seja mantida e torne-se a ponta de lança de um programa mais amplo de desestatização. Criados em 1663 no Brasil, os Correios são hoje a mais completa tradução da ineficiência, do apadrinhamento político e da falta de seriedade em lidar com a coisa pública. Trata-se de um caso singular na literatura econômica, em que, mesmo sendo um monopólio na entrega de correspondências, a empresa consegue ser deficitária. Entre 2013 e 2018 foram mais de 3 bilhões de reais de prejuízo (e o número só não foi pior porque o governo de Michel Temer tomou algumas medidas saneadoras). O mesmo resultado negativo ocorre com seu fundo de pensão, o Postalis, que apresenta um rombo atuarial de 11,5 bilhões de reais. No total, essa estrutura paquidérmica custa nada menos que 18 bilhões de reais por ano ao combalido caixa da União.

Com tantos números ruins, vale perguntar por que razão essa privatização não aconteceu em administrações anteriores. A resposta, infelizmente, obedece à mesma lógica que se observa em outras estatais. Os Correios são para aqueles que querem utilizar a política em proveito próprio um manancial de cargos e, consequentemente, de verbas. Não por acaso existe uma frente par­lamentar com mais de 200 depu­tados e senadores em defesa da manutenção da estatal. Nunca é demais lembrar que todo o processo do mensalão nasceu a partir da CPI dos Correios, originada de uma reportagem de VEJA sobre propinas na empresa. Na ocasião, um de seus diretores, Maurício Marinho (uma indicação do PTB), foi filmado recebendo um maço de notas para direcionar a compra de serviços de determinada companhia.

PROPINA – Marinho, ex-diretor da estatal: corrupção

PROPINA – Marinho, ex-diretor da estatal: corrupção (//.)

Nesta edição, trazemos uma reportagem que explica as razões pelas quais a privatização é o melhor caminho. Apurada pelo repórter Edoardo Ghirotto, a matéria mostra que o serviço postal (a entrega de cartas e contas), que durante muito tempo foi a principal fonte de renda dos Correios, cai a um ritmo de 10% ao ano. Em paralelo, a estatal perde espaço para as transportadoras na última etapa do processo de entrega de produtos e pacotes (conhecida na indústria como last mile delivery). Nesse ritmo, sem conseguirem acompanhar a concorrência, os Correios terão seu valor de mercado brutalmente encolhido em cinco anos. Ou seja: o ideal seria privatizar a estatal o mais rápido possível — enquanto ela ainda oferece alguma atratividade aos potenciais compradores.

Publicado em VEJA de 12 de junho de 2019, edição nº 2638

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