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Biblioteca essencial

Uma seleção de cinco obras fundamentais, clássicas no sentido mais pleno do termo, que percorrem temas variados da história dos negros no Brasil

Por Da Redação 17 nov 2017, 06h00
//VEJA

A literatura sobre a situação dos afrodescendentes brasileiros é vasta. Os cinco livros selecionados aqui representam essa variedade — da campanha pelo fim da escravidão à crítica do mito da democracia racial.


O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco (BestBolso; 224 páginas; 22,90 reais)
Herdeiro de tradicional família de proprietários pernambucanos, Joaquim Nabuco (1849-1910) tornou-se uma das vozes mais eloquentes do movimento que pedia o fim da escravidão. Panfleto publicado em 1883, quando o autor servia como diplomata em Londres, O Abolicionismo transcende o fim político imediato que pretendia alcançar: o ensaio, a um só tempo lúcido e apaixonado, já previa que a abolição não seria o passo final no caminho para fazer dos negros cidadãos plenos. Junto com a denúncia sistemática da escravidão, o autor exalta a contribuição dos afrodescendentes para o país: “A raça negra nos deu um povo”.


//Divulgação

Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre (Global; 768 páginas; 140 reais)
O ensaio de “interpretação do Brasil” foi quase um gênero literário autônomo na primeira metade do século XX. Esta obra do pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987) talvez seja seu clássico maior. Tem sido criticada, com alguma razão, por idealizar a colonização portuguesa e escamotear a violência na relação entre o senhor de engenho e seus escravos (e, sobretudo, escravas). Mas este livro representou o rompimento definitivo com o racismo pseudocientífico do século XIX e tornou-se um capítulo fundamental da valorização da mestiçagem no Brasil. “Em tudo que é expressão sincera da vida, trazemos quase todos a marca da influência negra”, diz Freyre.

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//Divulgação

O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho (Mauad; 344 páginas; 66 reais)
Publicado em 1947, o livro do jornalista Mário Filho (1908-1966) relata como um esporte praticado no início do século XX por ingleses e filhos de ingleses começou a ser disputado também por negros, conquistando popularidade nacional. “Desaparecera a vantagem de ser de boa família, de ser estudante, de ser branco”, escreveu Mário Filho. Passou a servir como instrumento de ascensão dos negros. Como disse o jogador Robson, do Fluminense, ao ouvir um colega gritar imprecações contra um casal afrodescendente: “Não faz assim, eu já fui preto e sei o que é isso”.


//Divulgação

Brancos e Negros em São Paulo, de Roger Bastide e Florestan Fernandes (Global; 304 páginas; 49 reais)
Nos anos 50, o brasileiro Florestan Fernandes (1920-1995) e o francês Roger Bastide (1898-1974), sociólogos da USP, lançaram-se, com o apoio da Unesco, a uma pesquisa pioneira sobre preconceito racial na maior metrópole brasileira. Em capítulos escritos ora por um, ora por outro autor, o livro colige seus achados. Os mecanismos pelos quais se fez a brusca transição do escravismo para o trabalho assalariado são analisados, devassando uma sociedade na qual, segundo Bastide, “o preconceito de cor identifica-se com o de classe”.


//Divulgação

O Genocídio do Negro Brasileiro, de Abdias Nascimento (Perspectiva; 232 páginas; 45 reais)
Nelson Rodrigues o chamava de “único negro do Brasil” — o único, pelo menos, a ter “plena e trágica consciência racial”. Ator, dramaturgo, ativista, Abdias Nascimento (1914-2011), neste ensaio de 1978, volta-se contra o mito da democracia racial. Gilberto Freyre é acidamente definido como um “fértil criador de miragens”, e o processo de marginalização social dos afrodescendentes é descrito como um genocídio.

Publicado em VEJA de 22 de novembro de 2017, edição nº 2557

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