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As dores do crescimento

Os aspectos negativos de crescer com a tecnologia atual são altamente preocupantes. A reportagem desta edição de VEJA ajuda a elucidar esses pontos

Por Da Redação - 18 jan 2019, 07h00

Os temas relativos às mudanças demográficas e geracionais sempre capturaram a atenção de VEJA. Por múltiplas razões. Eles iluminam caminhos para as políticas públicas, ajudam a desenhar os humores da sociedade e até facilitam o diálogo entre as gerações. Em outubro de 1990, por exemplo, ainda no tempo pré-histórico anterior à internet, VEJA publicou uma capa sobre os jovens da época — as “feras radicais”. A reportagem dizia: “Os filhos da geração rebelde dos anos 60 vivem em harmonia com os pais, começam a namorar cedo e trocam passeatas pelo shopping center”.

De lá para cá, quase tudo mudou. Os jovens da década de 60 amavam os Beatles e os Rolling Stones, seus filhos dançavam ao som de Madonna, Guns N’ Roses e U2 e a geração dos tempos atuais, essa que começa agora a chegar à idade adulta, monta as próprias playlists e ouve suas músicas preferidas no Spotify. Há um elemento — que já se insinuou na frase anterior — capaz de demarcar uma diferença abissal entre o momento presente e os fluxos geracionais anteriores: a tecnologia. Não mudaram apenas os astros da música pop, o comprimento dos cabelos, a idade média das primeiras experiências sexuais. Com a chegada das novas tecnologias, do Facebook ao Instagram, do Twitter ao WhatsApp, do YouTube à Netflix, mudou a própria maneira de estar no mundo.

E quais são essas mudanças?

Para responder a essa pergunta, VEJA escalou o editor Filipe Vilicic, que, nascido em 1985, já passou sua adolescência sob a influência determinante da avalanche tecnológica. Mas, mesmo para Vilicic, a reportagem trouxe novidades. Afinal, a geração atual, considerados aqui os nascidos entre 1996 e 2012, não sabe o que é a vida sem internet, e disso advêm impactos enormes, ainda hoje não inteiramente compreendidos.

A psicóloga americana Jean Twenge é fonte fundamental quando se trata de discutir a novíssima geração, que ela chama de iGen, numa alusão aos dedinhos nervosos e onipresentes em iPhones e iPads. Twenge pesquisou a iGen, escreveu um livro que já se tornou referência incontornável no assunto e faz um resumo do que descobriu. As crianças e adolescentes de hoje, diz ela, “possuem experiências diárias radicalmente diferentes das de todos aqueles que os precederam”.

Parece pouco, mas é todo um mundo. Se a experiência diária — o cotidiano, a rotina, a vida mesma, no seu fascínio e na sua miséria — é “radicalmente diferente”, torna-se inevitável concluir que estamos diante de jovens cuja bagagem é inteiramente outra. Há coisas muito positivas, mas os aspectos negativos de crescer com a tecnologia atual são altamente preocupantes. A reportagem de VEJA, publicada nesta edição, ajuda a elucidar esses pontos. Boa leitura.

Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2019, edição nº 2618

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