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A maga da tradução

Morre, aos 84 anos, Lia Wyler, que verteu para o português os livros da série 'Harry Potter'

Henry Miller, Saul Bellow, John Updike, Margaret Atwood: a lista de autores de língua inglesa que a tradutora Lia Wyler verteu para o português é extensa. Pouco tempo atrás, aliás, a editora Rocco relançou sua tradução de A Fogueira das Vaidades, de Tom Wolfe. Mas há um trabalho em particular que ficará sempre associado a seu nome: a série Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling. Lia Wyler traduziu os sete livros mais populares da literatura infantojuvenil contemporânea (que nesta semana, por sinal, dominam a lista dos mais vendidos de VEJA, impulsionados por promoções de Natal).

Na tradução de literatura adulta não se mexe em nomes próprios. Mas a prosa para crianças exige outros encantos, e Lia encontrou soluções coloridas e sonoras para adaptar o universo mágico de Rowling à língua dos fãs brasileiros. Por exemplo, as quatro casas em que se dividem os alunos da escola de magia Hogwarts — Gryffindor, Hufflepuff, Ravenclaw e Slytherin — tornaram-se, em português, Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. E o Quidditch, esporte que se joga com vassouras voadoras, virou Quadribol. Lia, portanto, criou termos que estarão na memória afetiva de gerações de leitores — e não só de leitores: suas soluções foram adotadas nas legendas e dublagem dos filmes baseados na série. Lia Wyler nasceu em Ourinhos, São Paulo, mas já na infância se radicou no Rio de Janeiro. Estudou letras e era uma estudiosa da arte tradutória no Brasil, tema de seu livro Línguas, Poetas e Bacharéis. Vinha passando por problemas de saúde – sofreu dois AVCs — e morreu no Rio de Janeiro, na terça-feira 11, aos 84 anos.

LUTA CONTRA A DITADURA

Um pesadelo começou para Eunice Paiva em plena manhã do dia 20 de janeiro de 1971, quando agentes da Aeronáutica levaram seu marido, o ex-deputado do PTB Rubens Paiva, cassado pela ditadura em 1964, de dentro da própria casa onde viviam, no Rio. Ele nunca mais foi visto. Eunice criou sozinha os cinco filhos — entre eles, o escritor Marcelo Rubens Paiva — e se lançou na busca de informações sobre o marido. Advogada, tornou-se, com essa e outras ações, um dos sinônimos femininos da luta contra o regime que matou Rubens Paiva. Eunice sofria de Alzheimer. Morreu na quinta 13, em pleno meio século do AI-5, aos 89 anos, em São Paulo.

O PALHAÇO PICOLINO

TRADIÇÃO - Roger Avanzi na pele do personagem: sucessor do pai TRADIÇÃO - Roger Avanzi na pele do personagem: sucessor do pai

TRADIÇÃO - Roger Avanzi na pele do personagem: sucessor do pai (Adi Leite/Folhapress)

A vida do paulista Roger Avanzi foi moldada sob uma lona circense. Filho do criador do Circo Nerino, atuou nele como equilibrista, acrobata, músico e ator — até se encontrar como sucessor do pai, Nerino Avanzi, na pele do palhaço Picolino. Roger deu aulas na Academia Piolin e também fez TV, teatro e cinema. Em 2009 fundou o Centro de Memória do Circo. Morreu na segunda 10, aos 96 anos, de falência de múltiplos órgãos, em São Paulo.

Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2018, edição nº 2613