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Cristo Redentor: Alô, médicos, aquele abraço

No show de luzes, também apareceram a palavra “obrigado” em diversas línguas e as bandeiras dos 185 países com casos confirmados

Por Ernesto Neves - Atualizado em 17 abr 2020, 09h53 - Publicado em 17 abr 2020, 06h00

Em um domingo de Páscoa com igrejas vazias, a Arquidiocese do Rio de Janeiro aproveitou para prestar uma bela e justa homenagem a um grupo que vem sendo aplaudido e apoiado no mundo todo: os profissionais de saúde que, na falta de remédio e vacina contra o novo coronavírus, se arriscam a se contagiar para tratar dos doentes. Em um espetáculo visual de impacto, imagens projetadas a distância “vestiram” o Cristo Redentor com jaleco e estetoscópio. No show de luzes, também apareceram a palavra “obrigado” em diversas línguas e as bandeiras dos 185 países com casos confirmados. Devido ao alto potencial de contágio da Covid-19, calcula-se que no Brasil um em cada dez médicos e enfermeiros tenha sido contaminado, situação ainda menos grave que a de outros países — como a Itália, com 15%, e a Espanha, com 20% —, mas que pode piorar. Na cidade emoldurada pelo espetacular cenário avistado no Corcovado, um levantamento feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que uma em cada quatro pessoas que atuam na saúde vem testando positivo. Além da homenagem, duas outras cerimônias marcaram a Semana Santa no santuário tristemente isolado. Aos pés da estátua, o cardeal dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, celebrou — solitariamente — a Consagração do Brasil, repetição do ritual seguido na inauguração do Cristo, em 1931. No ar, de helicóptero, o padre Omar, reitor do santuário, abençoou a cidade. Embora a ciência e a razão sejam evidentemente a melhor opção para o controle da pandemia, é sempre bom contar com a ajuda divina.

Publicado em VEJA de 22 de abril de 2020, edição nº 2683

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