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Youssef tem mais dinheiro do que declarou, diz laranja do doleiro

Leonardo Meirelles também disse que intermediou o pagamento de propinas em nome da Odebrecht por meio de contas em Hong Kong

Por Laryssa Borges - 3 set 2015, 18h00

O empresário Leonardo Meirelles, que atuou como laranja de Alberto Youssef no esquema de pagamento de propina a agentes públicos e políticos, disse em depoimento ao juiz Sergio Moro que o doleiro tem mais dinheiro escondido do que declarou em seu acordo de delação premiada. Embora não tenha dado detalhes, Meirelles afirmou que Alberto Youssef não tornou públicos todos os valores em seu acordo de delação, fato que, em tese, pode anular o termo de colaboração do doleiro com a Justiça. O próprio laranja de Youssef negocia um acordo de delação com Procuradoria-Geral da República, em Brasília, para apontar políticos que se beneficiaram do esquema do petrolão.

Em seu acordo, Youssef abriu mão de bens registrados em nome da GFD Investimentos – empresa do doleiro usada para pagamento de propina – administrados pela Web Hotéis Empreendimentos LTDA, da propriedade de 74 unidades de um condomínio em Aparecida do Norte (SP), de hotéis e terrenos na Bahia, de seis unidades autônomas do Hotel Blue Tree Premium, em Londrina (PR), e de três carros de luxo.

Em depoimento do juiz Moro, Leonardo Meirelles também disse que intermediou o pagamento de propinas em nome da empreiteira Odebrecht por meio de contas em Hong Kong. “Foram várias entradas para a Odebrecht”, disse ele, que confirmou que a parte da empreiteira com o esquema chegava a 7,5 milhões de dólares. Entre 2010 e 2012, ele atuou, a mando de Youssef, como operador de pagamentos no Brasil e no exterior e movimentava o dinheiro sujo a partir de contratos simulados de importação. Recebia valores em TED nas contas correntes de empresas de fachada, contratava operações de câmbio, remetia os valores para o exterior e pagava a propina a indicados pelo doleiro.

Na tarde de quarta-feira, na ação penal em que executivos da Odebrecht são acusados de participar do esquema do petrolão, também prestou depoimento o ex-vice-presidente da empreiteira Camargo Correa, Eduardo Leite. Segundo ele, a partir da instituição de um propinoduto para distribuir dinheiro sujo a agentes públicos, “todas as empresas” com contratos na Petrobras tinham que pagar suborno. “Todas as empresas prestadoras de serviço junto à Petrobras tinham a obrigação desse pagamento. Isso era comentado ao mercado e outros executivos chegaram a reclamar desse pagamento. A reclamação recorrente era o volume de volume que você tinha que destinar”, disse.

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Em sua delação premiada, Leite já havia confirmado que entre 2007 e 2012 a construtora pagou 110 milhões de reais em propinas, sendo 63 milhões de reais para a Diretoria de Serviços e 47 milhões de reais para a Diretoria de Abastecimento.

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