Vitória de Tarcísio no 1º turno pode complicar não só para Lula mas também para Flávio, diz cientista político
Elias Tavares vê uma incógnita para o filho de Bolsonaro: o grau de engajamento do governador no segundo turno
Uma eventual vitória de Tarcísio de Freitas no primeiro turno da eleição para o governo de São Paulo representaria uma notícia “muito ruim” para Lula, mas também acenderia um sinal de atenção para a campanha de Flávio Bolsonaro. A avaliação é do cientista político Elias Tavares, que, no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, apontou uma consequência comum aos dois presidenciáveis: sem segundo turno estadual, ambos perderiam a força de um palanque ainda mobilizado na maior disputa regional do país (este texto é um resumo do vídeo acima).
A análise partiu do cenário apresentado por Laísa a partir de pesquisa da Real Time Big Data divulgada nesta segunda, 14, que indica a possibilidade de Tarcísio liquidar a eleição paulista no primeiro turno. A apresentadora questionou se o resultado poderia prejudicar Lula, que ficaria sem um palanque estadual durante a etapa decisiva da corrida presidencial. Tavares concordou com o risco, mas ampliou o diagnóstico. “Eu acho que é um ponto de alerta e é ruim para os dois lados”, afirmou.
Por que Lula seria o maior prejudicado?
Tavares considera o favoritismo de Tarcísio claro no cenário apresentado. Para o cientista político, Fernando Haddad conseguir levar a eleição estadual para o segundo turno já representaria “uma vitória gigante”, possibilidade que ele considera improvável diante dos números discutidos no programa.
Se a disputa terminar na primeira rodada, Lula perderá um palanque ativo justamente em São Paulo. “Sem dúvida, é uma notícia muito ruim para o Lula, que não terá o palanque no maior colégio eleitoral”, afirmou Tavares.
O efeito seria especialmente importante porque um segundo turno estadual manteria candidatos, estruturas políticas e aliados mobilizados ao mesmo tempo em que Lula disputasse a fase final da eleição presidencial.
Por que Flávio também teria motivo para se preocupar?
A consequência para Flávio Bolsonaro é diferente. Tavares apontou Tarcísio como seu “principal palanque”, mas disse ter dúvidas sobre o nível de envolvimento pessoal do governador caso ele próprio já esteja reeleito quando começar o segundo turno presidencial.
“Eu não sei se eu enxergo uma vontade do governador Tarcísio, reeleito, em embarcar no segundo turno totalmente”, afirmou.
Segundo o cientista político, está claro que Flávio é o candidato apoiado por Tarcísio. A questão, para ele, não é a preferência eleitoral do governador, mas até onde Tarcísio estaria disposto a colocar seu próprio capital político e sua estrutura a serviço da campanha presidencial depois de já ter garantido mais um mandato.
O engajamento de Tarcísio pode decidir o tamanho da vantagem?
Para Tavares, esse é o ponto central para a campanha de Flávio. Se, depois de reeleito, Tarcísio continuar mobilizado e conseguir manter prefeitos e aliados engajados na disputa presidencial, o resultado paulista poderá se transformar em uma vantagem expressiva.
A vitória antecipada de Tarcísio, portanto, teria uma natureza ambígua para Flávio: entregaria ao candidato um governador aliado reeleito no maior colégio eleitoral, mas encerraria o palanque estadual que poderia manter a estrutura política naturalmente mobilizada por mais algumas semanas.
Quem perderia mais com São Paulo decidido no primeiro turno?
Na avaliação de Tavares, os dois lados precisam acompanhar o cenário, mas Lula enfrentaria a consequência mais evidente. Enquanto Flávio ainda poderia contar com um Tarcísio reeleito e disposto a mobilizar seus aliados, o presidente ficaria sem a disputa estadual que sustentaria seu palanque paulista no segundo turno.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







