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Villas Boas elogia Bolsonaro em sua despedida do comando do Exército

General afirmou que o presidente, presente na cerimônia, 'tirou o país da amarra ideológica'

Ao deixar o cargo de comandante do Exército, o general Eduardo Villas Boas fez um forte discurso político no qual disse que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) resgatou o Brasil das amarras ideológicas. Ele foi substituído por Edson Leal Pujol. A cerimônia de troca do comando ocorreu nesta sexta-feira, 11, no Clube do Exército, em Brasília, com a presença do presidente. 

Diante de Bolsonaro, Villas Boas afirmou que o político “tirou o país da amarra ideológica que sequestrou o livre pensar” e “tirou o país do pensamento único e nefasto”. O militar também destacou que o Exército é “democrático, apartidário e integralmente dedicado à nação”. Ao final, Villas Boas foi aplaudido de pé e cumprimentado por Bolsonaro.

O comandante, que sofre de uma doença degenerativa e está em uma cadeira de rodas, fez apenas uma saudação com agradecimentos. Com dificuldade para falar, seu discurso de ordem do dia foi lido por um mestre de cerimônia.

Villas Boas ainda agradeceu à ex-presidente Dilma Rousseff e ao ex-ministro Jaques Wagner por sua nomeação. Também manifestou gratidão ao ex-presidente Michel Temer por tê-lo mantido no cargo e pela sua postura em relação à instituição. 

O general enalteceu três personalidades: o presidente Bolsonaro, o general Braga Netto, responsável pela intervenção federal no Rio de Janeiro, e o ministro da Justiça Sérgio Moro, a quem chamou de “protagonista da cruzada contra a corrupção”. 

No início do ano, logo após assumir a Presidência, Bolsonaro agradeceu o trabalho de Villas Boas. “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, discursou o presidente, durante a cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Defesa.

Em abril do ano passado, Villas Bôas se envolveu em uma polêmica ao fazer, na véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF), um post no Twitter repudiando a “impunidade” e dizendo que o Exército estava “atento às missões institucionais”.

Papel da imprensa

Em sua fala, Villas Bôas também enalteceu o papel da imprensa, que – conforme disse – de forma “vigilante” contribuiu para o aperfeiçoamento institucional do Exército. 

Legado

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse, durante a passagem do comando do Exército, que a principal contribuição do general Eduardo Villas Boas, foi “o que ele conseguiu evitar”. O ministro citou a instabilidade política que marcou os quatro anos em que o general comandou a força, sem falar abertamente sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as eleições de 2018.

Também general, o ministro afirmou que Villas Boas exerceu o cargo “num tempo que guarda as marcas das instabilidades que colocaram à prova a maturidade das instituições democráticas brasileiras, incluídas as Forças Armadas”.

Azevedo e Silva disse que Villas Boas tem estilo “justo e humano” e foi uma “liderança conciliadora”, tendo pautado seu período de comando pela “legalidade e estabilidade”, com respeito à democracia.