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Vice-presidente do Aliança mantinha contato com organizadores de protestos

Alvo de mandado de buscas, o advogado Luís Felipe Belmonte dizia aconselhar coordenadores de atos bolsonaristas a não se manifestarem contra instituições

Por Edoardo Ghirotto - Atualizado em 16 jun 2020, 10h43 - Publicado em 16 jun 2020, 10h38

O advogado Luís Felipe Belmonte, vice-presidente do Aliança Pelo Brasil, mantinha contato com os organizadores de manifestações que entraram na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) por levarem pautas antidemocráticas às ruas de Brasília. Belmonte é um dos alvos dos mandados de busca e apreensão que a Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira, 16, no âmbito das investigações sobre quem coordena e financia atos contra as instituições.

Por ser o número dois do futuro partido de Jair Bolsonaro, Belmonte era procurado com frequência por coordenadores de manifestações favoráveis ao presidente. O advogado tinha canal de diálogo aberto com representantes da Organização Nacional dos Movimentos (ONM) e do Movimento Direita Conservador (MDC), dois dos principais grupos envolvidos na organização dos protestos.

Quando era questionado sobre o envolvimento nos atos, Belmonte dizia que só aconselhava os militantes bolsonaristas e pedia para que fossem evitados os ataques contra o Congresso e o STF. O advogado participou de uma carreata em abril, mas deixou de comparecer aos protestos para cumprir a quarentena ao lado dos filhos pequenos.

Entre os que procuraram Belmonte estava um representante do grupo de extrema-direita 300 do Brasil, cuja líder Sara Winter foi presa na segunda-feira 15, por ameaçar o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito das manifestações antidemocráticas. O advogado chegou a visitar o acampamento que os bolsonaristas mantinham na Esplanada dos Ministérios na primeira semana de maio. Sara Winter não estava presente na ocasião.

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Na mesma semana, um dos representantes do 300 do Brasil, identificado apenas como Felipe, telefonou para o advogado pedindo que o Aliança Pelo Brasil negociasse um terreno com o governo do Distrito Federal para que o grupo pudesse manter um acampamento fixo. A solicitação foi negada pelo dirigente, que não tem boa relação com o governador Ibaneis Rocha (MDB).

A Polícia Federal apreendeu o celular e o computador de Belmonte. Os agentes cumprem 21 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e no Distrito Federal. Outros alvos são o marqueteiro do Aliança Pelo Brasil, Sérgio Lima, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) e alguns blogueiros bolsonaristas.

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