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Vice de Alckmin anuncia apoio do quinto partido na disputa por SP

Prestes a assumir governo paulista, Márcio França trava guerra silenciosa com prefeito João Doria na disputa por apoios de legendas da base

O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), anunciou nesta segunda-feira que fechou a presença do quinto partido na sua chapa para disputar a sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o PSC. Nas últimas semanas, França tem travado uma guerra silenciosa com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), na disputa por apoio de partidos e lideranças políticas da base aliada de Alckmin.

Com o acerto desta segunda, o vice-governador garante que tem hoje o maior tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. “Chegamos ao maior de TV até agora: 18 minutos”, afirmou nas redes sociais, emendando que “mais partidos virão nos próximos dias”. Oficialmente, entretanto, ainda não é possível fazer este cálculo. Isso porque a conta depende do número de candidaturas que forem colocadas e o número de deputados que os partidos terão na época dos registros — hoje, a base de França reúne 100 parlamentares.

França já contava com o seu partido, o PSB, e outros três: o Pros, o Solidariedade e o PR. Ele avançou sobre as legendas contando com um importante ativo político: em menos de dois meses ele assumirá a máquina pública do governo de São Paulo, com suas centenas de cargos, quando Alckmin deve renunciar para disputar a Presidência da República pelo PSDB.

Diante dos movimentos de França – que tenta abalar o controle do PSDB sobre o restante da base e ameaça reduzir a influência dos tucanos no governo paulista –  nomes influentes do partido, incluindo o próprio Alckmin, adotaram o discurso de que a candidatura socialista é legítima e que “seria melhor” que os aliados estivessem unidos em um único palanque.

Para evitar que o apoio ao PSB cresça (ou, até, como informou a coluna Radar, uma cogitada filiação de França para ser o candidato tucano), João Doria também se mexe de olho no Palácio dos Bandeirantes. Acordos com o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, e com o DEM, do deputado Rodrigo Garcia, estão adiantados, como registrou o blog Holofote. Recentemente, o prefeito de São Paulo cumpriu agenda pública ao lado do deputado Celso Russomanno (PRB-SP), líder da última pesquisa de intenção de votos, mas que não deve concorrer ao governo estadual.

O discurso de apoio ao nome do socialista ganhou força na voz de tucanos relevantes na estrutura paulista. O ex-governador Alberto Goldman já afirmou que a disputa nacional é “o desafio mais importante” e que esse pode ser um bom motivo para que o PSDB abra mão da cabeça de chapa em São Paulo. Declarações semelhantes já foram feitas por aliados próximos do atual governador, como o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa.

Doria não assume publicamente a intenção de ser candidato ao governo. Oficialmente, os três pré-candidatos do PSDB ao governo são o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, o ex-senador José Aníbal e o cientista político Luiz Felipe D’Avila.

Esse é um problema para Doria, que participa de uma disputa interna prejudicial aos seus planos: os demais concorrentes querem que a votação das prévias ocorra depois de abril, forçando o prefeito a renunciar “no escuro”, sem a garantia da candidatura ao governo.

Vida nova

Enquanto Márcio França e João Doria disputam a posição de principal candidato do campo alckmista em São Paulo, o vice-governador já se prepara para formar seu governo, que vai durar, ao menos, oito meses. Ele terá à sua disposição a maior parte das secretarias, incluídas na conta as onze pastas hoje comandadas pelo PSDB, caso o partido não o apoie no pleito de outubro.

A primeira mudança deve acontecer na secretaria dos Transportes, comandada pelo PSDB. Laurence Casagrande deve dar lugar a um indicado do PR, um dos partidos da “base” de França.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, outra demanda que vem de um aliado do pré-candidato do PSB é um aumento no orçamento da pasta do Trabalho, já comandada pelo Solidariedade. Segundo o jornal, Geraldo Alckmin teria pedido ao vice que mantivesse ao menos três dos seus secretários, que são técnicos que comandam áreas-chave para os tucanos: Mágino Alves (Segurança Pública), Lourival Gomes (Administração Penitenciária) e Benedito Braga (Saneamento Básico).