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Vice assume prefeitura de Campinas na terça. E pode ser alvo de nova investigação parlamentar

Preso em maio, Demétrio Vilagra é acusado de formação de quadrilha

Por Ana Clara Costa 20 ago 2011, 14h56

Após a cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), na madrugada deste sábado, a Câmara Municipal de Campinas se prepara para empossar no cargo, na próxima terça-feira, o vice, Demétrio Vilagra. Contudo, o petista assumirá o posto sob suspeitas, que poderão desaguar na criação de nova comissão de investigação parlamentar.

“Como vice, ele tem o direito de assumir. Porém, pesam contra ele denúncias graves, que podem desaguar na formação de nova comissão processante”, afirma o vereador Rafael Zimbaldi (PP).

Vilagra foi preso após investigações do Ministério Público Estadual (MPE), que revelaram um esquema de fraude em licitações de contratos de serviços de empresas terceirizadas da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). Estariam envolvidos, além de agentes públicos e empresários, a esposa de doutor Hélio, como é conhecido Hélio de Oliveira Santos, Rosely Nassim Santos.

Segundo Zimbaldi, a prisão torna a situação de Vilagra ainda mais complicada do que a do prefeito cassado. “Enquanto o doutor Hélio foi acusado de omissão e negligência, o vice foi acusado de crimes contra a administração pública, como o recebimento de dinheiro de empresas. Esse cenário é grave”, afirma o vereador.

A situação política do vice pode ser complicada. Perante à Justiça, contudo, não há processos contra Vilagra em andamento, garante seu advogado. “Apresentamos uma defesa contrapondo as denúncias do MPE. E o órgão poderá receber ou não essa defesa. Enquanto não houver decisão, não há processo”, afirma Ralph Tórtima Stettinger, advogado de Vilagra. Por ora, o vice-prefeito se diz pronto a assumir a prefeitura de Campinas, terceira maior cidade do estado em número de habitantes. “Reitero que estou preparado para assumir o cargo de prefeito em prol da cidade, que precisa voltar a caminhar a passos largos rumo ao desenvolvimento econômico e social”, informou Vilagra, em nota.

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Para que uma nova comissão de investigação seja criada na Câmara Municipal, é necessária a apresentação de uma petição por parte de um dos 33 vereadores. Então, um sorteio definiria os participantes. “Evidências de irregularidades existem. Mas tudo vai depender de uma articulação política e de como a comissão avaliará os fatos”, diz Zimbaldi. Na hipótese da cassação de Vilagra, o cargo de prefeito passaria para as mãos do presidente da Câmara, Pedro Serafim, do PDT – mesmo partido de doutor Hélio.

Outra dificuldade, porém, pode se interpor entre o vice e a prefeitura: o prefeito cassado. O doutor Hélio afirmou ao site de VEJA, por meio de sua assessoria de imprensa, que irá recorrer da cassação. “Ele considera que esse foi um julgamento político e os advogados já estão reunidos para definir quais estratégias serão usadas para recorrer judicialmente. Mas isso, em nenhum momento, impedirá que o vice-prefeito assuma”, disse a assessoria.

Entrevista – Doutor Hélio se compara a José Dirceu

Investigação – Vereadores pedem cassação de prefeito de Campinas

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