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Vestido de capitão, dono da Havan nega ter impulsionado mensagem contra PT

Luciano Hang afirma que seus vídeos são compartilhados 'espontaneamente' por 'milhões de pessoas que acreditam na mudança'

Por Da Redação Atualizado em 18 out 2018, 19h20 - Publicado em 18 out 2018, 19h19

Fantasiado de capitão, à frente de um bote inflável onde se lia “PTitanic”, o empresário Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, negou que tenha pago a empresas de tecnologia e marketing digital para impulsionar mensagens no aplicativo WhatsApp contra o partido do ex-prefeito Fernando Haddad e a favor do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, de quem é ferrenho apoiador.

Segundo o empresário, seus vídeos, que têm “conteúdo lúdico” e “mensagens que as pessoas entendem”, são compartilhados espontaneamente por “milhões de pessoas que acreditam na mudança”.

“Eu uso o meu próprio celular, gravo esses vídeos com mensagens que as pessoas entendem e compartilham, no WhatsApp e nas redes sociais. Eu não pago para impulsionar o meu WhatsApp”, afirmou o empresário, em transmissão ao vivo na sua página oficial no Facebook.

Luciano Hang afirmou também que vai processar o jornal Folha de S.Paulo, que, em reportagem publicada nesta quinta-feira 18, informou que ele e outros empresários pagaram a agências para que fossem promovidos disparos em massa por meio do aplicativo de mensagens. Argumenta que a reportagem não exibe contratos assinados entre ele e as empresas.

O empresário também critica veículos de imprensa que, segundo ele, produzem artigos com o intuito de serem utilizados como “campanha política” pelo adversário de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT). Ele cita reportagens que tratam de investigações contra ele e outros donos de empresas, suspeitos de coagir funcionários para o voto em favor do candidato do PSL. “Querem amedrontar as pessoas de bem desse país, para que eu não venha mais aqui falar com vocês”, diz.

O dono da Havan já foi condenado pela Justiça Eleitoral a pagar uma multa de 10.000 reais por ter impulsionado conteúdos em suas redes sociais a favor de Bolsonaro, o que foi considerado doação irregular de campanha. À época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou a alegação do candidato do PSL, de que ele desconhecia o fato de que Hang recorreu ao procedimento, e o inocentou de participação na ação ilegal, multando apenas o empresário.

  • Regras

    A legislação eleitoral permite o impulsionamento de conteúdo em mídias sociais, mas delimita expressamente que apenas o candidato e a sua coligação podem recorrer ao serviço, vedado a utilização de terceiros. Além disso, os empresários, segundo a reportagem, cometeram uma segunda ilegalidade ao comprar bases de dados com números de telefone, para quais os conteúdos foram enviados. A legislação estabelece que mensagens do tipo só podem ser destinadas às pessoas que espontaneamente forneçam seu número.

    Após as revelações da participação de empresários no impulsionamento de conteúdos a favor de Bolsonaro no WhatsApp, Fernando Haddad e o PDT, partido do ex-presidenciável Ciro Gomes, anunciaram que vão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a impugnação da candidatura do capitão à Presidência pelo PSL. O assunto também dominou as redes sociais, com a hashtag #Caixa2DoBolsonaro aparecendo nos primeiros lugares entre os temas mais comentados no Twitter.

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