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Valério diz ter entregue à Procuradoria provas do que disse

Publicitário prestou novo depoimento em setembro ao MPF, em que afirma que dinheiro do mensalão pagou despesas pessoais de Lula

O publicitário Marcos Valério disse ter fornecido ao Ministério Público Federal (MPF) provas das acusações feitas em seu bombástico depoimento ao órgão – em que, entre outras coisas, afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aval aos empréstimos para abastecer o mensalão e teve despesas pessoais custeadas por dinheiro do esquema. “Os procuradores não tocaram nos papéis que deixei lá”, disse ao jornal Folha de S.Paulo. Leia também: Freud Godoy: os rolos do faz-tudo de Lula Oposição formaliza pedido ao MP para investigar Lula Justiça Eleitoral rejeita contas de Haddad por “irregularidades graves” Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão no julgamento do mensalão, por corrupção ativa, evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o publicitário atuou como o operador do esquema. De acordo com o jornal, entre os documentos entregues ao MPF está o registro de depósito dos 98 500 reais que teriam sido usados para despesas de Lula na posse e no primeiro mês de governo. O dinheiro foi entregue ao faz-tudo do então presidente, o segurança Freud Godoy, por meio de um cheque da SMP&B. Não há, entre os papéis entregues por Valério aos procuradores, registro do que foi comprado com o dinheiro. A procuradora Raquel Branquinho e subprocuradora Claudia Sampaio, que colheram o depoimento de Marcos Valério em setembro, admitiram, em conversas reservadas, desconfiar da versão agora apresentada pelo publicitário. Elas identificaram inconsistências na fala dele e, por isso, exigiram detalhes e provas. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também assumiu uma posição de cautela diante da fala de Valério.