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Valério confirma delação em MG e se põe à disposição da Lava Jato

Condenado a 38 anos de prisão no mensalão, publicitário confirmou ao juiz Sergio Moro a chantagem do empresário Ronan Maria Pinto ao ex-presidente Lula

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 12 set 2016, 18h38 - Publicado em 12 set 2016, 18h30

Ao final do depoimento que prestou nesta segunda-feira na ação penal em que é réu na Operação Lava Jato, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza disse diante do juiz federal Sergio Moro que está em processo de delação premiada com o Ministério Público de Minas Gerais. A delação do publicitário está sendo conduzida pelos procuradores Eduardo Nepomuceno, Eduardo Barbabela e João Medeiros. O acordo trata do mensalão mineiro, esquema de corrupção que funcionou durante o governo do tucano Eduardo Azeredo, entre 1995 e 1999.

Marcos Valério pediu a Moro para se dirigir ao procurador Diogo Castor de Mattos, que integra a Força-Tarefa da Lava Jato, e afirmou estar “num processo em Belo Horizonte em que três procuradores estão conversando, são pessoas sérias, e estamos em processo de delação. Quero deixar claro para o Ministério Público que o que precisar e o senhor achar que somos úteis, estamos dispostos a sentar e conversar”.

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Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 38 anos de prisão por ser o operador financeiro do mensalão, Valério narrou ao juiz responsável pela Lava Jato o que sabe sobre a operação petista para comprar o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, que ameaçava envolver o ex-presidente Lula no assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

Ao ser perguntado por Castor de Mattos sobre o dinheiro pago a Ronan mediante a chantagem, Valério se virou para Moro, confirmou que tomou conhecimento do suborno, mas não quis entrar detalhes, dizendo temer pela sua vida.

Na esteira de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012, por envolvimento no mensalão, Marcos Valério prestou um depoimento ao Ministério Público Federal ainda naquele ano e citou o caso do assassinato de Celso Daniel. Como revelou VEJA, diante da condenação a mais de 40 anos de cadeia, Valério indicou ao STF seu desejo de prestar novas declarações sobre o esquema. Um acordo de delação com este tema, contudo, nunca chegou a ser firmado.

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