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Valdemar dá estocada em ministro de Lula e sugere erro em pesquisas eleitorais

Presidente do PL se reuniu com coordenador da campanha de Flávio e afirmou ter levantamentos que divergem de diagnóstico da Quaest

Por Laryssa Borges, Robson Bonin, José Benedito da Silva e Laísa Dall'Agnol 17 jul 2026, 14h54
Valdemar dá estocada em ministro de Lula e sugere erro em pesquisas eleitorais Priorizar nos meus resultados Google

Em toda eleição é assim. Com desempenhos na intenção de votos aquém do que sugerem trackings internos nem sempre verificáveis, os institutos de pesquisa viram o inimigo da vez de diferentes candidatos, que insinuam vieses em prol do adversário e colocam em xeque a credibilidade de estatísticas que lhes são desfavoráveis. Nas eleições de 2026 esse diagnóstico ganha contornos mais importantes porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sugeriu o que chamou de “selo de acurácia” para institutos de pesquisa, o que gerou protestos generalizados do setor.

A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 15, por exemplo, reacendeu o debate dentro da campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) porque materializou uma sucessão de más notícias para o primogênito de Jair Bolsonaro. Ainda que seja o candidato de oposição mais bem posicionado na corrida presidencial, 37% dos entrevistados dizem que votariam no Zero Um em um eventual segundo turno, patamar semelhante aos 36% aferidos quando ele foi lançado pré-candidato em dezembro passado, o que pode sugerir que o senador tenha atingido seu teto de votos. Não é só: entre os independentes, nicho que em uma eleição polarizada como esta funcionam como pêndulo capaz de decidir quem será o vitorioso, 40% dizem que vão votar em Lula. Entre esses mesmos independentes, a rejeição a Flávio Bolsonaro chega a expressivos 68%.

Entrevistado no programa Três Poderes, de VEJA+, nesta sexta-feira, 17, o presidente do PL Valdemar Costa Neto deu dimensão às críticas a institutos de pesquisa e sugeriu que levantamentos que indicam dificuldades para a candidatura de Flávio Bolsonaro divergem completamente das aferições internas do partido. “Não estou querendo dizer que é falsa essa pesquisa [Quaest]. Eu tive uma reunião agora há pouco com o Rogério Marinho [coordenador da campanha de Flávio]. Ele me mostrou três pesquisas de outros institutos que a diferença é dois, 3%, no máximo. Ele me mostrou as pesquisas de outros institutos”, relatou. Segundo a Quaest, em um eventual segundo turno Lula tem 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio. Na pesquisa estimulada sobre o primeiro turno, o atual presidente tem 40% contra 28% do senador.

Ao comentar a pesquisa, porém, Valdemar Costa Neto estocou o ministro da Secretaria de Comunicação Sidônio Palmeira e sugeriu haver uso da máquina do governo em benefício do projeto reeleitoral do presidente Lula. “O marqueteiro do presidente da República, o marqueteiro do governo é o ministro das Comunicações [da Secretaria de Comunicação]. Isso não existe no planeta. Ele é o dono da verba, ele é o dono de tudo. Veja bem, é muito sério isso. Isso não podia acontecer num governo, não podia acontecer do ministro das Comunicações ser o marqueteiro do presidente”, disse. O marqueteiro oficial da campanha de Lula é Raul Rabelo, cria de Sidônio Palmeira e indicado pelo ministro para tocar o marketing da campanha. Sidônio, que cogitou se afastar do governo para se dedicar ao projeto reeleitoral, permanecerá no Palácio do Planalto.

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Em julho de 2022, com três anos e quase sete meses de mandato, o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha 29% das intenções de voto, praticamente o mesmo patamar que Flávio amealha entre os eleitores de 2026, segundo a Quaest. Como se sabe, na reta final da campanha, o capitão escancarou os cofres públicos e anunciou repasses a caminhoneiros e taxistas, redução de tributos e pagamentos maiores a beneficiários do Bolsa Família e perdeu a disputa por menos de dois pontos percentuais dos votos válidos. Flávio não é Jair e, além de patinar na preferência dos eleitores fora da bolha da polarização, tem um senhor adversário: a máquina pública desta vez está nas mãos do principal concorrente.

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