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Vaivém dos eleitores independentes prenuncia disputa indefinida até o fim

Nicho estratégico muda de ideia ao sabor dos ventos, das agendas positivas e das crises dos candidatos

Por Daniel Pereira 9 ago 2026, 17h34
Vaivém dos eleitores independentes prenuncia disputa indefinida até o fim Priorizar nos meus resultados Google

Como ocorreu em 2018, quando Lula venceu Jair Bolsonaro por pouco mais de dois milhões de votos, a eleição presidencial deste ano tende a ser acirrada. As pesquisas têm mostrado o presidente em vantagem numérica nas simulações de segundo turno, mas com uma margem apertada sobre os rivais.

Segundo levantamento Genial/Quaest, Lula venceria Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) no segundo turno por diferenças de, respectivamente, cinco pontos e oito pontos percentuais. Já na sondagem da BTG/Nexus, o senador ganhou terreno e apareceu apenas um ponto atrás do petista.

O quadro é de equilíbrio e sofre pequenas alterações em razão de uma série fatores. Entre eles, destaca-se o comportamento dos eleitores independentes, que são considerados decisivos para o resultado final da eleição. Esse nicho não é refém da polarização, não se deixa levar por torcidas organizadas e está mais preocupado com os problemas cotidianos. Não é fiel às cartilhas de Lula e do clã Bolsonaro.

Daí, a facilidade dos independentes para migrar de um lado para outro, influenciados por agendas positivas ou crises dos presidenciáveis. Esse vaivém está retratado nas pesquisas. Em abril, 36% dos independentes diziam que não votariam na eleição, 33% declaravam apoio a Flávio Bolsonaro e 26% a Lula.

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Em maio e junho, o senador teve de lidar com dois desgastes. Um deles foi a revelação de que pediu uma ajuda financeira de 134 milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Master e protagonista da maior fraude bancária da história do país — para supostamente financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O outro foi o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusa o Zero Um de desrespeitá-la e humilhá-la.

O resultado apareceu em julho, quando 40% dos independentes afirmaram que votariam em Lula, enquanto apenas 27% manifestaram preferência por Flávio Bolsonaro. O presidente, que tinha uma desvantagem de sete pontos em abril, abriu uma frente de treze pontos. Um virada e tanto, mas que também já perdeu tração.

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Na Genial/Quaest divulgada na quarta-feira 5, a preferência dos independentes por Lula caiu para 33%, ou sete pontos a menos do que em julho. Já por Flávio Bolsonaro subiu para 30%, três pontos a mais. Esse movimento coincide com um momento negativo para o presidente, especialmente após a abertura de inquéritos para apurar a suspeita de tráfico de influência por seu filho mais velho, Fábio Luís da Silva, o Lulinha.

Sem lealdade canina aos presidenciáveis, os independentes, como a política, mudam ao sabor dos ventos. São eles que tendem a deixar a disputa indefinida até a véspera da votação.

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