Uma baixa para Flávio Bolsonaro a dois meses do primeiro turno da eleição
Decisão do Republicanos reduz estrutura, tempo de televisão e peso político da candidatura do senador, embora a internet possa compensar parte da perda
A decisão do Republicanos de permanecer neutro na eleição presidencial representa mais uma baixa para a campanha de Flávio Bolsonaro e tende a beneficiar diretamente o presidente Lula. A avaliação é do colunista de VEJA Robson Bonin, de Radar, no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol. Segundo ele, a ausência de um acordo nacional com a legenda deixa o senador com menos estrutura partidária, tempo de propaganda e relevância na campanha (este texto é um resumo do vídeo acima).
O Republicanos anunciou a neutralidade durante sua convenção nacional. Segundo a nota divulgada pelo partido, a decisão foi tomada por maioria das executivas estaduais e reflete o crescimento da sigla, que teria tornado inviável uma posição única para todo o país. O movimento frustrou a tentativa de Flávio de atrair a legenda para sua chapa.
Por que a decisão é uma baixa importante para Flávio?
Para Bonin, o episódio tem peso porque ocorre depois de União Brasil e Progressistas também decidirem não endossar formalmente a candidatura do senador. “É mais uma baixa para Flávio. Ele vai ter dificuldade para compor a sua chapa.”
O colunista classificou a situação como incomum na política recente. Segundo ele, os partidos do Centrão costumam aderir ao projeto presidencial considerado mais competitivo, ainda que preservem margem para negociar com o vencedor depois da eleição.
O Centrão ficará realmente fora da disputa?
Na avaliação de Bonin, a neutralidade nacional não significa ausência de participação nos estados. As legendas devem manter a estratégia tradicional de adaptar suas alianças à força eleitoral de cada campo político nas diferentes regiões. “Esses partidos não se comprometem a nível federal em termos de campanha, mas nos estados eles estão fazendo a tradicional divisão.”
Segundo o colunista, candidatos dessas siglas devem se aproximar de Flávio em regiões onde o bolsonarismo é mais forte, como partes do Sul, Centro-Oeste e Norte. Já no Nordeste e em locais onde Lula e o PT apresentam maior vantagem, integrantes desses mesmos partidos poderão fazer campanha ao lado do presidente.
Por que Lula é beneficiado?
Embora o presidente também esteja concentrado em uma aliança formada principalmente por partidos de esquerda e centro-esquerda, Bonin avaliou que a neutralidade das legendas de centro produz uma vantagem relativa para sua campanha. Sem o reforço formal do Centrão à candidatura de Flávio, Lula enfrenta um adversário com menos tempo de propaganda e menor capacidade de articulação nacional. “Isso acaba beneficiando diretamente o presidente Lula.”
Bonin ponderou que o impacto pode ser parcialmente reduzido pelo peso das redes sociais na disputa eleitoral. A campanha de Flávio conta com uma base digital mobilizada e pode usar a internet para diminuir a diferença de estrutura em relação à candidatura governista. Ainda assim, o colunista observou que a força virtual não elimina completamente a perda provocada pela ausência de partidos na coligação formal.
A decisão do Republicanos, portanto, reforça um desenho em que o Centrão evita compromissos nacionais, mantém liberdade para atuar de forma distinta em cada estado e deixa Flávio diante do desafio de montar uma chapa competitiva sem o apoio formal das principais legendas desse campo.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







