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Tumor de Lula é de média agressividade, dizem médicos

Doença pode alterar voz do ex-presidente, que terá acompanhamento de fonoaudiólogo. Cirurgia só será cogitada caso o tratamento de quimioterapia e radioterapia não faça efeito

A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os médicos do Hospital Sírio-Libanês responsáveis por seu tratamento contra o câncer na laringe diagnosticado neste fim de semana concederam uma entrevista coletiva à imprensa na manhã desta segunda-feira. De acordo com a equipe médica, em até 40 dias será possível avaliar os resultados prévios da quimioterapia iniciada nesta manhã. Eles afirmaram que o tumor de Lula tem três centímetros e grau de agressividade médio. Durante o tratamento, o ex-presidente será acompanhado por um fonoaudiólogo, por causa da proximidade do tumor com as cordas vocais.

Diagnosticado a tempo, câncer de laringe tem 90% de chance de cura

Lula chegou ao hospital por volta de 10 horas, acompanhado da mulher, Marisa Letícia, para a primeira sessão de quimioterapia. Ele seguiu ao centro cirúrgico para a inserção de um cateter sob a pele na região do peito. O cateter ficará alojado na região até o fim do tratamento. Em cada uma das três sessões de quimioterapia – com intervalo de 21 dias entre cada uma -, os medicamentos serão injetados, por meio de uma agulha acoplada a esse cateter, por até 120 horas em pequenas doses. Encerrado o período de 120 horas, a agulha é retirada do cateter.

Assessores de Lula informaram que, no domingo, ele passou o dia em casa assistindo ao jogo em que o Corinthians venceu o Avaí por 2×1. A torcida, porém, teria sido feita por meio de gestos – um primeiro esforço do ex-presidente para poupar a voz. Nesta segunda, após o procedimento, ele passará a noite no hospital. No fim da tarde, recebe a visita da presidente Dilma Rousseff e, na manhã de terça, após exames, volta para casa.

Lula chega ao hospital e conversa com os médicos Raul Cutait, Paulo Hoff e Roberto Kalil Filho Lula chega ao hospital e conversa com os médicos Raul Cutait, Paulo Hoff e Roberto Kalil Filho

Lula chega ao hospital e conversa com os médicos Raul Cutait, Paulo Hoff e Roberto Kalil Filho (/)

Tratamento – A previsão é de que as sessões de quimioterapia terminem na primeira quinzena de janeiro. Após três ou quatro semanas, será iniciada a radioterapia. Nessa etapa, Lula ficará deitado dentro de um equipamento no qual é emitida uma radiação direcionada ao local do tumor. O procedimento será repetido durante sete semanas e deve ser encerrado até o final de fevereiro. Segundo os médicos, só será possível garantir que o ex-presidente está curado do câncer se não houver recorrência do tumor nos próximos cinco anos.

O cirurgião de cabeça e pescoço Luiz Paulo Kowalski explicou que, no caso de Lula, uma cirurgia para a remoção do tumor seria mais arriscada e só será cogitada caso o tratamento atual não faça efeito. “O tumor não se fixou nas cordas vocais porque foi descoberto a tempo, mas está muito próximo, logo, não teríamos uma margem de segurança”, disse. “Há 15 anos essa seria a alternativa mais provável, mas hoje está comprovado que a quimioterapia e a radioterapia oferecem as mesmas possibilidades de cura e minimizam a apresentação de sequelas”.

De acordo com o oncologista Paulo Hoff, as chances de sucesso do tratamento são muito boas, mas ele poderá provocar alguma alteração na voz de Lula. “Estamos trabalhando para que seja uma alteração mínima e não haja nenhum impacto nas atividades normais dele”, afirmou. Com o tratamento agressivo, o ex-presidente deverá perder também outra marca registrada: a barba. Os médicos relatam que a queda de pelos para pacientes com câncer que são submetidos à quimioterapia é inevitável.

A equipe médica que atende o ex-presidente confirma que as causas mais prováveis do câncer na laringe são o uso de cigarro e de álcool – duas substâncias que acompanham Lula há anos. Segundo Luiz Paulo Kowalski, esse tipo de tumor é mais comum em homens e São Paulo tem a maior incidência do problema no país. “Em todo o mundo, há de seis a sete casos em cada 100.000 homens por ano. Em São Paulo, o número anual é de 16 a cada 100.000, provavelmente pelo maior uso de tabaco e pela poluição.”