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Tropas federais vão ocupar Complexo da Maré, no Rio

Governador Sérgio Cabral e ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciam acordo feito a partir de um decreto de "Garantia da Lei e da Ordem" (GLO), que autoriza Forças Armadas a atuar como polícia

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 24 mar 2014, 12h57

O governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou, pouco antes das 13h desta segunda-feira, o formato do auxílio do governo federal para a ocupação de favelas conflagradas no Rio de Janeiro. A ajuda de tropas federais ocorrerá como determina a lei, por meio de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza as Forças Armadas a atuar como polícia – ou seja, tendo civis brasileiros entre seus possíveis alvos.

De acordo com Cabral, o GLO tem como alvo o Complexo da Maré. O governador não antecipou quando começará a atuação do Exército no conjunto de favelas. Esse tipo de pedido é feito pelo chefe de governo de um Estado ao chefe do governo federal – ou seja, é um pedido de Cabral dirigido à presidente Dilma, através do Ministério da Justiça. “É um passo decisivo na nossa política de avanço na área de segurança pública. Trata-se de uma área estratégica do ponto de vista do ir e vir. Por lá passam Linha Amarela, Linha Vermelha, Avenida Brasil e em breve um BRT. Uma área sensível, com trabalhadores ansiosos para receber as forças de segurança”, disse o governador.

Estiveram reunidos no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador, o chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, general de Exército, José Carlos de Nardi, a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, e técnicos do governo estadual e federal. Os representantes do governo federal chegaram com uma hora de atraso para a reunião, agendada para as 10h. “Governo do Estado e governo federal estão unidos para enfrentar o crime organizado. As forças federais vão ocupar o espaço territorial da Maré, preparando-o para a pacificação”, afirmou Cardozo.

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Por questões estratégicas, o ministro se recusou a detalhar o efetivo e os armamentos que serão usados na operação – também não informou quando ela será iniciada. “Os prazos serão ajustados conforme a necessidade. E permaneceremos lá o tempo que for necessário”, declarou, acrescentando que esta é uma situação definitiva. “Essa presença federal veio para não mais terminar”, enfatizou. O Complexo da Maré, ainda de acordo com ele, é um ponto estratégico para a segurança pública do Rio de Janeiro.

Beltrame negou que a ocupação do Complexo da Maré tenha relação com os ataques às UPPs. Isto é, não existem evidências de que traficantes dessas favelas tenham articulado os ataques da semana passada. Mas Cabral afirmou que a Maré é um refúgio de criminosos e por isso se justificaria uma ocupação. Beltrame indicou que o Exército vai ocupar as favelas até existir efetivo policial para a instalação de uma UPP na região. Segundo o secretário de segurança, serão necessários 1.500 policiais em uma UPP na Maré.

Antes da ocupação da Maré pelo Exército, a Polícia Militar vai realizar operações para ocupar o conjunto de favelas, de acordo com Beltrame. Só depois disso o comando da área será entregue aos militares.

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