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Troca de partidos já envolve 45 deputados e 2 senadores

Solidariedade ganhou vinte deputados e um senador; Partido Republicano da Ordem Social (Pros) recebeu treze parlamentares na Câmara

Por Felipe Frazão - 4 out 2013, 21h09

Nas últimas duas semanas, todas as atenções da política nacional estiveram voltadas para o fracassado registro eleitoral da Rede Sustentabilidade – partido que daria legenda para a ex-senadora Marina Silva disputar a Presidência da República em 2014. Enquanto ela adiou a decisão de migrar para outras siglas para este sábado, distante dos holofotes, dezenas de lideranças políticas regionais mudaram de agremiação. Ao todo, 45 deputados trocaram de legenda do dia 25 de setembro até esta sexta-feira, de acordo com o site da Câmara dos Deputados. No senado, dois parlamentares mudaram de sigla.

A criação formal dos partidos Solidariedade e do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) intensificou a dança das cadeiras no Congresso Nacional. De acordo com dados da movimentação parlamentar, o Solidariedade recebeu vinte parlamentares e um senador – Vicentinho Alves, ex-PR. Já o Pros, angariou treze deputados. Por trás do troca-troca, há interesses eleitorais particulares e também desavenças partidárias.

Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a senadora Kátia Abreu viu o PSD completar dois anos de fundação e, logo em seguida, comunicou sua migração para o PMDB – pelo qual deve concorrer ao governo do Tocantins. Depois de ter um desentendimento no ano passado com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, ela se afastou da direção da legenda e foi convidada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, a ingressar nas fileiras do PMDB.

“Levei em conta minha principal prioridade, os interesses do Tocantins. Passo a fazer parte do maior partido de oposição no estado, para compor uma frente ampliada e enfrentar o poder dominante”, disse a senadora em nota.

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Outro exemplo de desentendimento é o do grupo político do governador do Ceará, Cid Gomes. A família Gomes abandonou o PSB e aderiu ao Pros – neoaliado da presidente Dilma Rousseff. Notadamente a favor da manutenção do partido na base de Dilma, ele disse ter sido convidado a se retirar do PSB “da pior maneira possível” pelo presidente nacional dos socialistas Eduardo Campos, governador de Pernambuco e potencial rival de Dilma na disputa presidencial.

Quando o político ingressa em um partido recém-criado, a legislação não permite que a legenda anterior ou o suplente peçam a perda de mandato na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera justificada a troca por “incorporação ou fusão do partido, criação de partido novo, a mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário e a grave discriminação pessoal”.

(Com reportagem de Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília)

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