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Tratamento do prefeito de São Bernardo, que deixou UTI, incluiu cloroquina

Orlando Morando (PSDB) relata a VEJA fortes dores no corpo e falta de ar intensa durante internação; ele pode ter alta médica hoje

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 6 abr 2020, 13h32 - Publicado em 6 abr 2020, 13h23

Depois de uma semana internado na UTI do Hospital São Luiz em São Caetano do Sul (SP) com diagnóstico de Covid-19, o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Orlando Morando (PSDB), teve melhora e foi levado para um quarto neste domingo, 5. Um dos 51 casos da doença causada pelo coronavírus na cidade do ABC paulista, Morando teve os primeiros sintomas em 23 de março, testou positivo dois dias depois e dali a mais quatro dias deu entrada na UTI. Ele relata a VEJA ter tido febre, falta de ar e dores intensas pelo corpo durante a internação, que envolveu o uso de cloroquina – com sucesso, segundo o prefeito. Ele pode receber alta ainda nesta segunda-feira, 6.

“Eu perdi paladar e olfato completamente. Não é uma gripezinha, é muito pior que uma pneumonia. Senti muita dor de cabeça, dor nos olhos e dor no corpo, não dava para tocar o couro cabeludo, não dava para pôr a mão na cabeça”, relata o tucano.

O mais cruel dos sintomas e que o fez temer a morte foi a falta de ar. O prefeito, no entanto, não chegou a ser entubado. “Você entra em pânico, quer respirar mais e aí piora. Na terça à noite, eu estava na UTI e não tinha mais ar, me concentrei para tentar respirar o menos possível. Imagina estar respirando em uma sala cheia de fumaça, você tenta puxar o oxigênio e ele não vem. Eu estava com os dois pulmões inflamados, era como estar com o nariz e a boca tampados. Foi a pior sensação que eu vivi na minha vida”, diz.

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O tratamento de Morando envolveu a administração de oxigênio, medicação na veia e comprimidos de cloroquina, substância que vem sendo aplicada a pacientes com quadros mais graves de Covid-19. O uso do medicamento tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, embora o Ministério da Saúde pondere haver “poucas evidências sobre o medicamento”. “Comecei a tomar cloroquina na terça-feira (31) e ela claramente colaborou na recuperação. Os médicos avaliaram que o efeito do medicamento foi bastante positivo”, diz o tucano, que ressalta ter recebido a substância dentro do hospital e por orientação de infectologistas.

Desde a última sexta-feira, 3, o prefeito não tem mais febre e dor no corpo. Ainda com tosse, ele diz que um dos pulmões teve melhora e que a equipe médica estimou em 10 dias a normalização de sua respiração. Após a alta hospitalar, ele ainda deve tomar medicação intravenosa em casa. Sua mulher, a deputada estadual Carla Morando (PSDB), que também contraiu Covid-19, teve febre e sintomas de uma “gripe forte”, mas não apresentou falta de ar e está curada. Uma funcionária da casa do tucano também ficou doente e os dois filhos dele, de 9 e 11 anos, testaram negativo para coronavírus, mas passarão por novas avaliações.

Morando divulgou um vídeo nas redes sociais após ter deixado a UTI:

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Pessoal, boa noite! Quero #agradecer o carinho e as #orações que eu recebi neste momento e que agora estou me recuperando bem e melhor.

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Apesar da internação, Morando afirma ter mantido a condução da crise com seu secretariado via mensagens de WhatsApp. Os dois únicos dias em que ele não conversou com a equipe foram as últimas terça e a quarta-feira, quando seu quadro se agravou. Ele pretende voltar à linha de frente do combate ao coronavírus na cidade assim que autorizado pelos médicos. “Assim que eu estiver liberado minha vida vai voltar ao normal, essa missão me foi dada, não muda nada”.

Entre as medidas que o tucano prioriza estão a antecipação da inauguração de um hospital com 250 leitos de maio para abril e a criação de mais 100 leitos no Hospital Anchieta, especializado em tratamento oncológico, para receber pacientes infectados pelo coronavírus. Segundo o balanço mais recente, divulgado na sexta-feira, a prefeitura de São Bernardo do Campo investiga 857 casos de Covid-19. Entre os 51 casos já confirmados, 7 pessoas morreram.

‘Bolsonaro não é mais atleta que eu’

Aliado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e defensor do modelo de isolamento social adotado por estados e municípios que o presidente Jair Bolsonaro critica, Orlando Morando afirma que, ao contrário da declaração de Bolsonaro, o “histórico de atleta” não é garantia de imunidade aos sintomas mais graves do coronavírus.

“Sempre fui saudável, zero problema de saúde, e nem por isso deixei de passar à beira do pior momento da minha vida. Faço esporte, esteira, caminho. O presidente não é mais atleta que eu, com todo respeito. Não é uma referência dizer que um atleta está imune. O sedentário, fumante, pressão alta pode ter um agravamento, mas eu não tinha nada disso e tive a situação agravada também”, diz.

  • Sobre o isolamento político do presidente em meio a embates públicos com governadores e críticas ao ministro da Saúde do próprio governo, Luiz Henrique Mandetta, o prefeito de São Bernardo do Campo diz se preocupar com a antecipação da disputa eleitoral de 2022 em meio à pandemia.

    “Ninguém tem que ser protagonista de nada e todo mundo deve remar para o mesmo lado. O que está comprovado é que o isolamento que foi adotado por estados e municípios é muito mais prudente e correto. Estamos vendo quem errou se redimir, como o prefeito de Milão e Donald Trump. Errar é humano, mas copiar erro não é. O que nós temos de melhor que os outros para ter essa teimosia, essa insistência burra?”, critica Morando, que ao contrário de Bolsonaro divulgou o resultado de seu exame para Covid-19.

    Candidato à reeleição na cidade mais populosa do ABC paulista, o prefeito diz que cabe somente ao Congresso discutir o adiamento das eleições e defende o uso dos 2 bilhões de reais do fundo eleitoral no combate ao coronavírus.

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