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Trabalho escravo: Ministério da Gestão e Inovação não garante novas vagas de fiscalização em 2026

Resgate de idosa expõe problema sistêmico de trabalho escravo no Brasil, dificultado pela falta crônica de fiscais

Por João Nogueira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jul 2026, 14h30
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Nesta semana, o resgate de uma idosa de 62 anos em um condomínio de luxo na Grande Fortaleza (CE) causou comoção pelo país. A mulher trabalhava em condições análogas à escravidão há 55 anos. Porém, o episódio não é isolado; na verdade, revela uma questão nacional sistêmica.

Só em 2025, Auditores-Fiscais do Trabalho (AFT) resgataram 2.772 mil trabalhadores e trabalhadoras em ações de enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Apesar das operações e do conjunto de leis robusto para o combate dessa violação, entidades que atuam na área apontam que o número de resgates poderia ser ainda maior se não fosse a invisibilidade das vítimas perante o Estado. Embora o isolamento social torne a intervenção mais complexa, o que o Brasil enfrenta é um déficit estrutural no quadro de auditores-fiscais do trabalho, profissionais responsáveis pela garantia dos direitos trabalhistas e pelo combate à exploração no território brasileiro.

Além de afetar a fiscalização e os resgates, a falta de pessoal sobrecarrega o sistema de notificações. O Disque 100, canal oficial do governo, recebeu 4.516 mil denúncias no ano passado. Os dados revelam um avanço de 14% em relação a 2024, com queixas que envolvem desde crianças a adultos.

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Em junho, o Radar mostrou que a ONU investiga o Brasil por conta da escassez de AFT. Atualmente, cerca de 2.600 servidores estão na ativa. O número é menor do que a metade recomendada (5.500 mil) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Ministério do Trabalho e Emprego já solicitou formalmente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) o aumento do quadro com o aproveitamento de 1.700 mil candidatos do cadastro de reserva do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU).

Procurado pela coluna, o MGI informou que autorizou a nomeação pelo MTE de 855 Auditores-Fiscais do Trabalho em novembro do ano passado. Os candidatos foram aprovados no bloco 1 do CPNU de 2024. Sobre o aproveitamento de novos excedentes do cadastro de reserva, a pasta não definiu prazos e afirmou que as solicitações de provimento de vagas “são analisadas considerando as prioridades governamentais, o orçamento disponível, a necessidade de cada órgão e o atendimento dos requisitos legais”, e que novas autorizações serão publicadas diretamente no Diário Oficial da União (DOU).

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Sem perspectiva de convocação para o cadastro de reserva, o Brasil deve continuar enfrentando lacunas na fiscalização e mais casos de décadas de exploração, como o ocorrido no Ceará, devem se repetir.

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