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Terra arrasada, Campo Grande tem 15 candidatos a prefeito

Devastada por escândalos de corrupção, capital vive pulverização de candidaturas e enfraquecimento do PMDB, sigla que comandou a cidade por 20 anos seguidos

A cidade de Campo Grande, a maior do Mato Grosso do Sul, com cerca de 780.000 habitantes, passou os últimos quatro anos em um cenário de caos político-administrativo e com finanças à míngua. Amargou o desgaste de ter o primeiro prefeito cassado da história, Alcides Bernal (PP), por suposto beneficiamento de empresas. Amargou a degradação de ter quase metade dos vereadores flagrados em grampos vendendo votos para a derrubada do mesmo Bernal. Amargou, por fim, a ruína de ver o vice-prefeito afastado Gilmar Olarte (Pros) preso na última semana, um dia antes do início oficial da campanha, por suspeitas de lavagem de dinheiro.

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É este enredo de esfacelamento dos atuais quadros políticos na cidade que garante à disputa de outubro em Campo Grande ares quase messiânicos. Pela primeira vez na história, 15 candidatos se inscreveram para disputar o Executivo municipal. O prefeito e candidato à reeleição Alcides Bernal, de volta ao posto por efeito de uma liminar, conta com a máquina administrativa do município e um conveniente discurso de vitimização pós-cassação para tentar sair do patamar de segundo colocado nas intenções de voto. Ainda que citado em uma gravação da Operação Lava-Jato, ele tem como principal trunfo o fato de grampos feitos pela Polícia Federal terem indicado que vereadores receberam propina de empresários e promessas de cargos para votar a favor de sua cassação. O escândalo foi revelado pela Operação Coffee Break e expôs as articulações do próprio vice Gilmar Olarte para tomar o poder.

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Principal adversário de Bernal e campeão de votos como parlamentar estadual, o líder nas pesquisas eleitorais para a prefeitura de Campo Grande é o deputado Marquinhos Trad (PSD), irmão do ex-prefeito Nelson Trad Filho e filho do ex-deputado Nelson Trad. Polêmico, considerado instável e apontado quase como um outsider da política, Marquinhos tenta construir trajetória política própria, ainda que o sobrenome o remeta à tradicional família que, ao lado do ex-governador André Puccinelli (PMDB), governou Campo Grande por 20 anos. Embora não responda diretamente a processos de improbidade, na disputa pela prefeitura dificilmente escapará de ser vinculado às suspeitas que envolvem o irmão Nelsinho Trad. Nelsinho recentemente teve os bens bloqueados e é um dos investigados na Operação Lama Asfáltica.

A apuração policial, que revelou um esquema de desvio de recursos e fraudes que envolvem contratos de mais de 2 bilhões de reais, é, aliás, um dos importantes fatores para a composição do xadrez de candidatos de 2016 e explica o motivo de o PMDB, legenda histórica no estado, não ter lançado candidato próprio à prefeitura. Com um dos seus principais caciques, o ex-governador e ex-prefeito André Puccinelli, citado e alvo de buscas na Lama Asfáltica, os peemedebistas de Campo Grande enfrentam uma de suas maiores crises políticas. Arrastado para escândalos de corrupção que colocaram em xeque a liderança de Puccinelli, o PMDB decidiu não ser o alvo preferencial de ataques de adversários e até liberou seus 32 candidatos a vereador na definição de apoios.

A despeito de ainda estar estacionada na preferência do eleitorado, a vice-governadora Rose Modesto (PSDB) tende a ser a candidata com mais perspectiva de crescimento na disputa. Tem outros seis partidos na coligação, a popularidade de quase 58% do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e um exército de 130 candidatos a vereador para tentar se tornar competitiva aos olhos do eleitor. Embora, segundo políticos locais, se distancie do padrão político de Bernal e Marquinhos Trad, tem como ponto fraco a inexperiência política e o fato de ter entregue os sigilos bancário e fiscal depois de suspeitas de ter vendido o voto, enquanto vereadora, no processo de cassação do prefeito Alcides Bernal.