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Tentando conter crise militar, Planalto e Exército se articulam para a CPI

Investigações sobre o 8 de Janeiro podem reacender clima de beligerância entre o governo Lula e as Forças Armadas

Por Marcela Mattos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 Maio 2023, 12h37 | Atualizado em 27 Maio 2023, 13h30
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Instalada na última quinta-feira, 25, a CPI Mista do 8 de Janeiro tem mobilizado o Palácio do Planalto e o Exército em torno de articulações para evitar que as investigações gerem novos desgastes entre as Forças Armadas e o governo do presidente Lula.

Dentro do governo, todos têm certeza de que os atos de vandalismo nas sedes dos três poderes representaram apenas a primeira etapa de uma intentona militar. Lula já disse repetidas vezes que os ataques eram o começo de um golpe. Seu braço-direito, o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que generais “patriotas” eram traidores do Brasil.

Em meio a uma relação esgarçada na origem, o governo passou a tentar restabelecer as pontes com as Forças Armadas. Recentemente, Lula reforçou a sua presença em eventos militares, entre os quais um almoço com o seleto grupo do Alto Comando e a cerimônia do Dia do Exército — da qual figuras como o general Villas Bôas e o agora deputado Eduardo Pazuello participaram. O recado é o de que o clima de desconfiança ficou no passado e é hora de unir as tropas.

Até aqui, vinha funcionando. Mas a CPI tem tudo para reavivar o clima de beligerância e provocação entre o governo e os fardados. O principal objetivo da investigação será definir uma linha do tempo – passando pelos preparativos dos atos, os financiadores e executores – para esclarecer se os atentados representaram apenas uma manifestação de eleitores descontentes com o resultado das urnas ou se havia, de fato, um plano para tirar Lula da cadeira.

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Para avançar sobre essa segunda versão, a do golpe, é preciso mergulhar no meio militar em busca de se apurar se havia ou não uma estrutura pronta para assumir o poder — e é aí a fonte de preocupação. Na última semana, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), e o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, tiveram um jantar com o presidente da comissão, Arthur Maia (União-BA).

No encontro, pediram ao parlamentar ter “responsabilidade” no tratamento com os militares. “O governo reconhece que a relação com as Forças Armadas não está boa e que não dá para esticar a corda, botar  os militares na parede e jogar a CPI para cima deles. Estão com muito receio”, resumiu um dos participantes.

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Uma CPI tem a prerrogativa de convocar pessoas, mandar prender depoentes, fazer longas inquirições e vasculhar os sigilos fiscais, bancários e telefônicos de seus alvos. Mesmo que nada seja encontrado, o constrangimento é grande. A VEJA, um general resume o tamanho do imbróglio. “Caso seja convocado um militar da ativa e ele não compareça, quem é que vai fazer a condução coercitiva? Quem é que vai mandar buscar?”, disse. No Congresso, ninguém tem uma resposta para essa questão.

Nos últimos dias, o Exército também passou a se debruçar sobre os efeitos da CPI. De pequenos detalhes, como se o ideal seria se um militar da ativa fosse fardado ou à paisana ao Congresso (irá fardado), à diferenciação de tratamento interno. Enquanto o tenente-coronel Mauro Cid é considerado um “problema político” e, por isso, deve ser respaldado unicamente pela sua defesa jurídica, o general Gustavo Dutra, ex-comandante militar do Planalto, terá maior respaldo da força, já que o entendimento é que é a imagem do Exército que estará sob inquirição dos parlamentares.

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Em outra frente, o comandante Tomás Paiva trabalha na reconstrução de pontes com a política, mantendo conversas com parlamentares governistas e de oposição, e com o Judiciário, principalmente com Alexandre de Moraes, responsável pela ordem de prisão de Mauro Cid — que, diga-se, é vista internamente como um tanto exagerada.

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