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Temer presidente? Por enquanto, não, responde o vice

Peemedebista falou no congresso do partido em Brasília. Ele foi interrompido por manifestantes que defendiam o impeachment. Eduardo Cunha foi vaiado

O vice-presidente Michel Temer discursou nesta terça-feira no congresso do PMDB em meio a protestos que pediam a saída da presidente Dilma Rousseff – e a gritos para que ele assuma o cargo. Entre os presentes ao evento estão integrantes de grupos como o Nas Ruas e o Movimento Brasil Livre, que defendem o impeachment de Dilma. Já no final de sua fala, o vice-presidente foi interrompido pelos manifestantes, que portavam réplicas da boneca inflável que satiriza a petista e cartazes de ordem com frases como “Temer, vista a faixa já”. Ao ouvir gritos pelo impeachment e de ‘Temer presidente’, ele pareceu constrangido e afirmou: “Por enquanto não. Em 2018 vamos escolher um grande nome. Eu estou encerrando minha vida pública.”

Como mostrou VEJA em reportagem publicada nesta semana, o vice-presidente se prepara para a cada vez mais presente eventualidade de a titular ser afastada do poder. Temer já conversa com políticos, juristas e empresários enquanto traça um plano para si e para o Brasil pós-Dilma. Ao chegar ao congresso em que o partido dá início ao descolamento do PT, Temer negou que o partido tenha uma data para abandonar o governo Dilma Rousseff. “O PMDB não vai sair”, disse o vice. Faltou combinar com os militantes da legenda, que o receberam com gritos de “Brasil pra frente, Temer presidente”.

Ao chegar ao congresso, o vice não escondeu que o plano do PMDB é chegar ao poder, como qualquer partido político. Segundo ele, as divergências entre os integrantes da sigla são naturais: parte do PMDB prega abertamente a ruptura com o governo federal e até o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Outra parte defende o adiamento desse rompimento, de modo a usufruir um pouco mais dos cargos conseguidos na reforma ministerial de outubro. “Mesmo os que querem a saída do governo querem colaborar com o país. E este programa que estamos fazendo é para o país”, disse o vice, referindo-se ao plano econômico apresentado pelo partido durante o congresso.

O congresso da Fundação Ulysses Guimarães marca um posicionamento claro do PMDB como alternativa ao governo Dilma Rousseff, ameaçado pela instabilidade econômica, pela crise política e por ações na Justiça Eleitoral. O partido organizou um texto para debate com propostas econômicas antagônicas às do PT.

Denunciado ao Supremo Tribunal Federal por envolvimento no petrolão, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chegou a ser alvo de vaias quando tomou a palavra. Mas o movimento foi rapidamente abafado. Cunha pregou independência total do partido e afirmou que o PMDB está decidido a ter um candidato próprio à Presidência da República. “Ninguém mais tem dúvida de que o PMDB tem que buscar um caminho próprio e que vai ter que disputar a eleição em 2018. O PMDB terá candidato e isso é inevitável em 2018 e vai disputar em 2016 todas as eleições que puderem ser disputadas”, afirmou Cunha, investigado pela Operação Lava Jato e alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar. “A discussão é se o PMDB tem ou não tem que ficar atrelado ao projeto que aí está, do qual não participamos, não formularmos. Nós não temos compromisso com o que está aí colocado, porque não participamos da formulação. Nossa voz não pode ser abafada por meia dúvida de carguinhos.”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não defendeu o rompimento abertamente. “O Brasil vive um momento complicado e o PMDB está fazendo a sua parte apresentando um programa, mesmo que não haja convergência sobre todos os pontos do programa”, disse. “O PMDB está apresentando propostas não para o governo, mas para o Brasil. Precisamos sair dessa situação de crise que tende a se agravar se não houver uma saída.”