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Temer: ‘Não acredito que voltarei a ser preso, não há provas’

Ex-presidente afirma que irá ao 'enfrentamento público' contra o processo e volta a dizer que promotores querem 'sua cabeça' como um troféu

Por Da Redação 12 abr 2019, 03h23

Preso por quatro dias em março e réu em cinco casos (com a possibilidade de uma sexta acusação), o ex-presidente Michel Temer declarou que não acredita na possibilidade de voltar a ser preso. “Não acredito nisso (na possibilidade de voltar a ser preso). Posso acreditar em arbitrariedades, por uma razão singela: não há provas. Cadê a prova?”, questionou Temer em entrevista publicada nesta sexta-feira 12 pelo jornal Folha de S. Paulo.

O ex-presidente afirma que há “um núcleo punitivista” entre os promotores público que quer “a cabeça um ex-presidente da República como um troféu”, como alegou em entrevistas anteriores. Ele diz que “vai para o enfrentamento público” contra o processo e provará que não existem provas que possam levar à sua condenação.

“Na decisão (de prisão), o que mais se verificava, o desembargador que concedeu a liminar ressaltou esse ponto, era uma frase curiosíssima: ‘a prova ainda é superficial’. Segundo: (escreveram) ‘parece que’, ‘tudo indica que’, ‘tudo leva a crer’. Não tem nada dizendo: está aqui o documento, está aqui a fala não sei de quem”, expõe.

Temer alega também que não pode ser imputado o “crime de amizade” por suas relações com outras pessoas investigadas, como José Yunes, Moreira Franco, Rodrigo Rocha Loures, ​Geddel Vieira Lima e o coronel Lima.

“Eu confio (nessas pessoas) enquanto eu os conheci, enquanto conviveram comigo, idoneidade absoluta. Se alguém fez alguma coisa, eles estão se defendendo no Judiciário. Não se pode imputar aquilo que eu chamo de crime da amizade. Se eu conheço fulano, e ele fez alguma coisa, eu sou responsável. É o mesmo raciocínio para dizer: se a empresa tal fala comigo, eu sou responsável pela empresa. Agora, não tenho uma palavra negativa para falar em relação a eles”, declara o ex-presidente.

Na entrevista, Temer revelou que escreveu um diário de 90 páginas descrevendo os quatro dias em que permaneceu preso na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Ele chama o texto de “Memórias do Arbítrio”, mas ainda não considera publicar o conteúdo.

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