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Temer estava na planilha da propina do Porto de Santos em 2001

Procuradoria-Geral da República pede acesso a inquérito arquivado pelo Supremo

Por Hugo Marques - Atualizado em 30 jun 2017, 19h37 - Publicado em 30 jun 2017, 16h54

O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, prepara uma nova ofensiva contra o presidente Michel Temer relacionada ao Porto de Santos, a mais tradicional área de influência do peemedebista na máquina pública. Janot já pediu a abertura de um inquérito para apurar se Temer beneficiou indevidamente a empresa Rodrimar, que atua no porto, ao editar um decreto. Agora, o procurador quer reabrir uma investigação que poderá comprovar que os laços entre Temer e a Rodrimar são bem mais antigos e foram estreitados, ao longo dos anos, por meio do pagamento de propinas.

ACERVO VEJA: Um rolo no porto

O primeiro passo nesse sentido foi dado na terça-feira passada, quando Janot pediu vista dos autos de um antigo inquérito, de número 3.105, que apurava a suspeita de que a Rodrimar pagou, no início da década passada, propina ao então deputado Michel Temer. Esse caso foi divulgado por VEJA em 2001 e acabou arquivado, a pedido da própria PGR, dez anos depois. Diante da suspeita de que Temer beneficiou a Rodrimar também no exercício da Presidência, Janot decidiu reexaminar a antiga denúncia.

Porto de Santos 2010
Porto de Santos; área de influência de Temer desde a década de 90 Germano Luders/Exame/VEJA

As primeiras pistas sobre as relações umbilicais entre Temer e a Rodrimar chegaram à Justiça, no início dos anos 2000, no bojo de um processo de separação litigiosa entre Marcelo de Azeredo, que presidiu a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), por indicação de Temer, e Erika Santos. Numa tentativa de conseguir um valor maior na partilha de bens, Erika entregou planilhas nas quais relatava um esquema de corrupção no Porto de Santos.

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Segundo as planilhas apresentadas por Erika, pelo menos seis contratos renderam dinheiro sujo a Temer, Azeredo e “um tal de Lima”, que, suspeita-se, seja o coronel João Baptista Lima, acusado pela JBS de receber dinheiro sujo em nome do presidente da República.  Os papéis entregues por Erika mostram que a Rodrimar desembolsou 600.000 reais para o esquema. Metade do valor teria sido destinado a Temer. O restante, dividido em parte iguais entre Azeredo e o tal Lima. O rateio do butim sempre respeitaria esse porcentual. Os documentos mostravam que o grupo Libra, gigante do setor de portos, pagou propina.

Na campanha presidencial de 2014, dois acionistas da Libra doaram 1 milhão de reais a Temer, então candidato à reeleição. Em relatório divulgado por VEJA no início deste ano, a Polícia Federal diz que o dinheiro pode ter sido repassado como contrapartida pela aprovação da MP dos Portos, cujo relator na Câmara, o então deputado Eduardo Cunha, hoje preso e cassado, fazia as vezes de caixa informal do presidente da República. A denúncia de pagamento de propina da Rodrimar ao então deputado Temer foi arquivada em 2011 pelo ministro Marco Aurélio Mello. Relator do caso, Marco Aurélio decidiu que vai reabrir o inquérito se houver pedido de Janot nesse sentido.

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