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Temer e Doria assinam acordo e trocam elogios em SP

Após fim de disputa jurídica entre a União e a prefeitura paulistana, Temer chamou Doria de 'amigo' e ouviu elogios à sua 'índole de conciliação'

Por Da redação - Atualizado em 7 ago 2017, 15h12 - Publicado em 7 ago 2017, 14h25

O presidente Michel Temer (PMDB) foi a São Paulo nesta segunda-feira para assinar, ao lado do prefeito da capital paulista, João Doria Jr. (PSDB), o protocolo que regulariza a transferência de 40 hectares do Campo de Marte à prefeitura paulistana. O espaço, na Zona Norte da cidade, será utilizado para a criação do Parque Campo de Marte, que vai abrigar o Museu da Aeronáutica, com os acervos do Museu da TAM e da Força Aérea Brasileira (FAB). O acordo foi possível com a retirada de uma disputa jurídica entre União e prefeitura que durava mais de sessenta anos.

O presidente e o prefeito trocaram elogios após a oficialização do entendimento – um ato carregado de simbologia pelo fato de o PSDB, partido de Doria, uma das principais siglas da base aliada, estar dividido quanto à permanência ou desembarque do governo de Temer.

Em sua fala, o peemedebista chamou o prefeito paulistano de “amigo” e “companheiro”. “Tenho orgulho de me equiparar às atitudes do meu amigo Doria, de tomar atitudes paralisadas há anos”, declarou. “O senhor pode colocar na sua biografia que hoje resolveu um problema de sessenta anos. Assim, passo a passo, pelo diálogo, vamos resolvendo as pendências. Esse será o 108º parque da cidade de São Paulo”, devolveu João Doria, que também elogiou a “índole de conciliação” de Temer.

Salvo pela Câmara da denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República, Michel Temer repetiu hoje em São Paulo o discurso de conciliação e pacificação do país e declarou que há “emocionalismo” no Brasil. Na sua avaliação, se os governos federal e paulistano se pautassem por esse clima, o ato de hoje não teria acontecido. “Precisamos conciliar soluções. Vejo o Doria trabalhar com conciliação, sempre agregando e somando. É inadmissível que brasileiros se joguem contra brasileiros. O nós contra eles não pode prevalecer”, acrescentou Temer.

Se o presidente foi só elogios a João Doria, o tom em relação ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político do prefeito, foi diferente. Ao se referir à negociação das dívidas com os estados, Temer lembrou que São Paulo recebeu mais que os 3 bilhões de reais que deveria pagar à União. À época, Alckmin demonstrou insatisfação com a renegociação. “No caso dos estados, fizemos renegociação de suas dívidas. Quando isentamos os estados, São Paulo recebeu mais de 3 bilhões de reais que deveria pagar à União”, disse o presidente.

A visita do presidente Michel Temer à prefeitura de São Paulo nesta segunda-feira teve protestos contra o peemedebista. Um grupo de cerca de cinquenta pessoas portando bandeiras e faixas de movimentos sociais ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) usaram um microfone para gritar palavras de ordem como “Fora, Temer”e “Temer ladrão”.

(com Estadão Conteúdo)

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