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Temer e Dilma: encontro tem conselhos sobre economia e dicas literárias

Presidente e vice se encontraram pela primeira vez no ano e peemedebista afirmou que o governo deve "ouvir mais"

Por Da Redação 20 jan 2016, 17h02

No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar sua decisão sobre a taxa básica de juros (Selic), a presidente Dilma Rousseff mencionou, em conversa reservada com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho da economia mundial para tentar justificar a crise na economia brasileira – ignorando, como de praxe, as políticas econômicas desastrosas de seu primeiro mandato.

No primeiro encontro do ano, que marca uma tentativa de reaproximação política da presidente e do vice-presidente, Dilma e Temer conversaram a sós nesta quarta-feira durante os 15 primeiros minutos. Em seguida, o ministro da Casa Civil Jaques Wagner e Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo entraram na sala. De acordo com interlocutores do peemedebista, a conversa girou em torno principalmente de assuntos ligados à área econômica.

A presidente usou as projeções do FMI para tentar mostrar que a crise na economia brasileira é afetada por uma conjuntura internacional ruim. As projeções usadas por Dilma foram as mesmas que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mencionou em comunicado emitido ao mercado financeiro ontem. No documento, Tombini, que vem sofrendo pressões do PT contra a alta dos juros, afirmou que o Copom vai levar em conta as projeções do fundo na decisão sobre a Selic nesta quarta.

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Conselhão – Na conversa a sós com Temer, Dilma afirmou ainda que vai reativar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, chamado “Conselhão”. Segundo interlocutores, o vice-presidente sugeriu a Dilma que o governo demonstre estar “mais disposto a ouvir do que a falar” no colegiado.

Temer defendeu que o Planalto incentive os conselheiros a enviarem sugestões e que o governo procure adotá-las. Para o vice, essa seria uma importante sinalização para ajudar a melhorar as expectativas da economia brasileira.

Durante o encontro, Temer também lembrou do documento “Uma Ponte para o Futuro”. Elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB, a publicação conta com inúmeras propostas para a economia. Dilma afirmou ao vice que conhece a publicação. Em mais um afago ao peemedebista, ela ressaltou que o documento está sendo analisado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para que algumas das sugestões possam ser adotadas pelo governo.

Apesar de o encontro entre Dilma e Temer ocorrer em meio às articulações do Planalto para eleição do líder do PMDB na Câmara e do vice para se manter na presidência nacional do partido, interlocutores do peemedebista afirmam que eles não conversaram sobre esses dois temas. Aliados de Temer afirmam que eles também não falaram sobre a Operação Lava Jato, que apura atos de corrupção na Petrobras.

Nos vinte minutos finais do encontro, Dilma e Temer conversaram sobre “amenidades”, como cinema e literatura. O vice-presidente sugeriu à petista a leitura de três livros: Número Zero, do escritor Umberto Eco, e ” Capital da Solidão e A Capital da Vertigem, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo.

(Com Estadão Conteúdo)

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