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Temer diz que protestos devem ser ‘aplaudidos’

Partido do vice-presidente apresentou proposta de reforma política com importantes pontos de divergência em relação ao PT

Por Gabriel Castro, de Brasília - 17 mar 2015, 12h57

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB) afirmou nesta terça-feira que manifestações que tomaram o país em 15 de março devem ser “aplaudidas”. A declaração foi dada durante o anúncio da proposta de reforma política do partido, na Câmara dos Deputados.

Ao comentar a reunião desta manhã com parlamentares do PMDB e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Temer afirmou: “Fizemos uma introdução revelando que nós não devemos nos preocupar com a movimentação das ruas. Ao contrário, podemos até aplaudir, porque o aplauso a esses movimentos significa a relevância da democracia que está instalada decididamente no nosso país. Portanto, nós devemos, sugerimos todos os líderes, manifestar-se nessa direção”, afirmou o vice.

A proposta de reforma política anunciada nesta terça foi elaborada pela fundação Ulysses Guimarães, subordinada ao PMDB, e incluiu consultas aos membros do partido e à sociedade. O texto diverge do defendido pelo PT em pontos primordiais. Em primeiro lugar, a proposta do PMDB sugere a permanência do financiamento privado de campanha, embora com uma mudança importante: cada empresa só poderia favorecer um candidato ou coligação para cada cargo, e a doação seria feita sempre ao partido, nunca ao candidato diretamente.

Além disso, a proposta do PMDB prevê a instalação do chamado “distritão” nas eleições para deputado. Por esse modelo, os mais votados seriam eleitos, independentemente da coligação à qual pertencem ou do chamado quociente eleitoral.

Outra ideia defendida pelo PMDB é a do fim da reeleição, com mandato de cinco anos. Pela proposta, prefeitos, governadores e presidente da República eleitos nas disputas de 2016 e 2018 teriam mandato de seis anos, sem reeleição. Só a partir de 2022 é que o mandato de cinco anos seria implementado.

No breve discurso que fez aos colegas de partido, Temer enfatizou o papel do Congresso na elaboração da reforma política – ao contrário do que pregam o governo e o PT, que querem uma consulta popular sobre o tema. “O Congresso Nacional é senhor absoluto dessa matéria”, disse ele.

O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, o ex-governador e ex-ministro do governo Dilma Moreira Franco, disse durante a cerimônia que o partido não vai permitir que o país seja paralisado pela “perplexidade”: “Nós vivemos um ambiente de perplexidade. Coisas ricas, generosas e novas estão ocorrendo. E nós não podemos paralisar o país”, afirmou.

Também presente no evento, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a reforma política não avançou nas últimas tentativas por falta de esforço do governo. “Faltou, nesses momentos, o protagonismo do governo e do PT. Eu espero que a partir de agora, com o protagonismo da presidente da República e de seu partido, nós tenhamos condições de levar a reforma política adiante”, declarou.

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