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Temer confirma interesse em ter Velloso como ministro da Justiça

Ex-ministro do STF ganha força para assumir pasta que ficará vaga após saída de Moraes; presidente diz que escolha será 'pessoal e sem conotações políticas'

Por Da redação 15 fev 2017, 13h22

Alvo de críticas por ter colocado no primeiro escalão do governo pessoas citadas na Operação Lava Jato e aliados políticos para conseguir maioria no Congresso, o presidente da República, Michel Temer, decidiu mostrar que não adotará a mesma prática na escolha do novo ministro da Justiça, que substituirá Alexandre de Moraes, indicado por ele para ocupar a cadeira de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em sua conta no Twitter, Temer disse que cogita nomear o ex-ministro do STF e advogado Carlos Velloso para ministro e que a escolha será “pessoal e sem conotações políticas”. “Estive com Carlos Velloso ontem. Conversamos privadamente por mais de 1h. Meu amigo há mais de 35 anos. Marcamos esse encontro diretamente. Continuaremos a conversar nos próximos dias. A escolha do novo ministro da Justiça será minha, pessoal, sem conotações partidárias”, postou o presidente nesta  quarta-feira.

Nos últimos dias, o presidente tem sofrido desgaste perante a opinião pública por uma série de decisões de seu governo que foram interpretadas como uma tentativa de abafar a Lava Jato. Inicialmente, foram cotados para o ministério da Justiça, ao qual está subordinada a Polícia Federal, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) — ambos com restrições à operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás.

A possibilidade de o governo tentar sufocar a Lava Jato foi um dos motivos que levaram movimentos que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, como Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL), a convocarem para o dia 26 de março um protesto para defender a operação.

  • Pegou mal também para Temer a recriação de um ministério, extinto por Dilma, para abrigar o seu braço-direito Moreira Franco, que foi citado mais de 30 vezes na delação do ex-diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho. A medida garantiu a Moreira foro privilegiado, o que foi entendido por juízes da primeira instância como “desvio de finalidade”. O ministro Celso de Mello, decano do STF, no entanto, colocou ontem um ponto final na questão, decidindo mantê-lo no posto.

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    A postagem de Temer também ocorre um dia depois de vir à tona um áudio em que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, explica com todas as letras como o governo monta o ministério pensando no número de votos no Congresso.

    “A Saúde é de vocês, mas gostaríamos de ter um notável”, diz Padilha, referindo-se a uma conversa que teve com lideranças do PP. “Diz para o presidente que nosso notável é o deputado Ricardo Barros (PP-PR)”, teria respondido a sigla, segundo Padilha, que completa: “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações? ‘Garantimos’. Então o Ricardo será o notável”. Na época em que Temer assumiu a presidência, falava-se que ele iria montar uma equipe de “notáveis”.

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