Tarcísio diz que Flávio ‘não deve nada’, mas cobra explicações sobre caso Master
Em sabatina de VEJA, governador afirmou confiar no aliado, mas reconhece que senador terá de esclarecer suspeitas envolvendo recursos destinados a Dark Horse
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL) ao ser questionado por VEJA sobre as suspeitas que envolvem o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Tarcísio afirmou acreditar que o candidato à Presidência “não deve nada”, mas ponderou que ele precisa falar sobre o episódio. “Acho que ele não deve nada, tem que explicar”, disse, nesta quarta-feira, 26. Tarcísio foi sabatinado pela apresentadora Marcela Rahal e pelos editores de VEJA José Benedito da Silva e Robson Bonin, da coluna Radar.
O caso ganhou espaço na campanha presidencial depois que mensagens e áudios revelaram negociações entre Flávio e Vorcaro envolvendo recursos para a produção de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações que vieram a público, o senador teria negociado o repasse de 134 milhões de reais para a produção. As investigações identificaram o envio de ao menos 10,6 milhões de dólares, cerca de 61 milhões de reais à época, para um fundo sediado nos Estados Unidos.
A origem dos recursos é um dos pontos sob investigação. Vorcaro foi preso no contexto das apurações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal investigam, entre outras questões, se recursos relacionados às fraudes financeiras foram utilizados no financiamento do filme e em outras despesas ligadas ao núcleo político.
Questionado sobre o episódio, Tarcísio evitou endossar as acusações contra Flávio e afirmou que o senador precisa ter espaço para explicar sua versão. A declaração ocorre em um momento em que o caso passou a ser explorado pela oposição durante a campanha eleitoral e também utilizado como munição política contra o candidato do PL.
Flávio, por sua vez, tem tratado o episódio como uma questão superada. Em agendas de campanha, o senador afirmou que o caso é uma “página virada” e sustenta que os recursos relacionados ao filme tinham origem privada. Também tem reagido às cobranças sobre a prestação de contas dos valores atacando o governo Lula e afirmando que o presidente deveria explicar as suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.







