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Sumiço de estudante no Peru será investigado como crime

Desaparecimento de Artur Paschoali completa dois meses nesta quinta-feira; família diz esperar há mais de 15 dias por assistência jurídica do Itamaraty

Por Jean-Philip Struck 21 fev 2013, 08h33

O desaparecimento do estudante brasiliense Artur Paschoali, de 19 anos, no Peru, passou a ser tratado como um caso criminal, direcionando a investigação para um possível sequestro ou até mesmo assassinato. O sumiço de Artur completa dois meses nesta quinta-feira. O rapaz estudava Artes Cênicas na Universidade de Brasília (UnB) e estava viajando e trabalhando no país vizinho.

Segundo o irmão do estudante, o engenheiro Felipe Paschoali, as autoridades locais já vasculharam repetidas vezes toda a área em que o estudante foi visto pela última vez. “Eles já varreram a área demais e não acreditam mais que tenha sido um simples desaparecimento. Acham que ele pode ter sido vítima de alguém, que tenha sido ferido”, explicou Felipe. “Eles sempre trabalharam com essa hipótese, mas nos últimos dias ela ficou mais concreta.”

Segundo o irmão de Artur, 45 agentes policiais de todo o país atuam no caso. Os pais do estudante desaparecido, Wanderlan Vieira e Susana Paschoali, estão há mais de um mês e meio no Peru acompanhando o caso e efetuando buscas por conta própria. “Eles têm uma rotina que começa pela manhã e se estende até quase a madrugada, acompanhando policiais ou perguntando pelo Artur para os moradores locais, em busca de alguma pista. Não vão voltar até encontrar meu irmão”, diz Felipe.

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A família não tem notícias de Artur desde o dia 21 de dezembro. Na ocasião, ele saiu para tirar fotografias na cidade de Santa Teresa, na região de Cusco. Ele estava hospedado em um restaurante local, onde também trabalhava.

Em janeiro, investigadores chegaram a encontrar objetos que parecem ser de Artur. Eram pedaços de roupas queimadas. Os fragmentos foram achados juntos a uma fogueira apagada, na região de Cusco. Também houve relatos de pessoas que disseram ter visto Artur pela região. O irmão de Artur diz que os pais estão indo atrás de cada pista, de cada relato de moradores da região. “Nós vamos atrás de qualquer tipo de informação. Mas, infelizmente, a maior parte delas se revela enganosa.”

Itamaraty – Com o direcionamento da investigação para a esfera criminal, a família agora espera por suporte jurídico do Itamaraty. Felipe Paschoali diz que seus pais esperam há 15 dias pela assistência de um advogado que foi prometido pela embaixada do Brasil em Lima. A função do advogado seria acompanhar o caso junto às autoridades. Um advogado indicado pela embaixada chegou a prestar assistência à família em janeiro, mas apenas por dois dias.

O Itamaraty respondeu na tarde desta quinta-feira que o requerimento da família para ter acompanhamento de um advogado está sendo analisado. O ministério afirmou que está “prestando toda assistência” os familiares de Paschoali e que o embaixador brasileiro no Peru está em constante contato com as autoridades locais.

O irmão de Artur diz que mesmo com a falta de progresso nas investigações, a família ainda tem esperança de encontrar o estudante. “Sabemos que com o passar do tempo tudo vai ficando mais difícil, mas temos esperança. Nós estamos nos agarrando a isso”, disse o irmão.

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