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Sucessor de Paulo Roberto Costa diz desconhecer corrupção na Petrobras

Atual diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, o engenheiro José Carlos Cosenza diz à CPMI que não sabia de nada, apesar de ter sido citado em mensagem interceptada pela Polícia Federal

Por Laryssa Borges - 29 out 2014, 17h42

Sucessor de Paulo Roberto Costa na diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras, o engenheiro José Carlos Cosenza disse nesta quarta-feira, em depoimento à CPI Mista da Petrobras, que “nunca ouviu falar” de desvios ou esquemas de corrupção na estatal.

Cosenza está há 38 anos na empresa petrolífera brasileira, trabalhou diretamente com Costa, de quem foi subordinado, mas disse que nunca soube ou foi procurado para dar continuidade às atividades da quadrilha que desviou cerca de 10 bilhões de reais da companhia.

“Ninguém me procurou e, se me procurasse, eu não estaria sensível a isso [esquema de propina]”, disse aos parlamentares. Na última semana, Cosenza passou por dois dias de treinamento de mídia antes de responder aos questionamentos da CPI. Ele deveria ter comparecido ao colegiado na quarta-feira passada, às vésperas do segundo turno, mas apresentou um atestado médico.

“Eu desconheço o cartel [de empresas na Petrobras]. Se desconheço, como é que ia dar continuidade?”, questionou.

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O diretor da Petrobras negou conhecer o doleiro Alberto Youssef, apontado como o operador do esquema na estatal. Ele também disse que não conhece o deputado Luiz Argôlo (SD-BA), um dos congressistas apontados pela Polícia Federal como beneficiários da trama criminosa na empresa. Durante investigações da Operação Lava Jato, por exemplo, a PF interceptou uma troca de mensagens Youssef e Argolo que evidencia que no dia 18 de setembro de 2013 o deputado teria agendado um encontro entre o doleiro e José Carlos Cosenza.

Em seu depoimento, o atual diretor da Petrobras afirmou que, desde que assumiu o posto de chefia na empresa, se reuniu apenas duas vezes para tratar de temas técnicos com Paulo Roberto Costa. Cosenza declarou ter conversado com seu antecessor, que assinou um acordo de delação premiada, “no máximo três vezes”.

Ele também negou relação com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado por Costa como o operador do esquema de propina na diretoria de Serviços da estatal, e disse não saber se o ex-presidente Lula era ou não informado sobre a distribuição ilegal de recursos na Petrobras. Conforme revelou reportagem de VEJA, Youssef afirmou em depoimento que faz parte de sua delação premiada que tanto Lula quanto a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) tinham conhecimento do megaesquema de corrupção na empresa mais importante do país.

“É difícil para os brasileiros imaginarem que um homem com 38 anos de Petrobras chegue aqui e diga que não sabia de nada e continua não sabendo de nada”, resumiu o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Além de sucessor de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, Cosenza foi presidente do Conselho de Administração da refinaria Abreu e Lima, obra orçada originalmente em 2,5 bilhões de dólares, mas hoje na casa dos 20 bilhões de dólares. Em depoimento à CPI, o diretor defendeu a lisura de se realizar aditivos e disse que todos os adicionais para revisão dos preços das obras passam pelos setores jurídico, de desempenho e tributário.

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