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STF ouve defesas de petistas e ex-ministro dos Transportes

Nono dia de julgamento, nesta terça, segue com apresentação de advogados dos réus. Juntos, ex-deputados do PT sacaram mais de R$ 1 mi do valerioduto

O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal chega nesta terça-feira ao nono dia, com a apresentação das defesas do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto, dos petistas Paulo Rocha (PA), Professor Luizinho (SP) e João Magno (MG) – todos ex-deputados federais -, e da ex-chefe de gabinete de Rocha, Anita Leocádia.

Infográfico: Entenda os trâmites do julgamento e o que pesa contra cada réu

Adauto, ministros dos Transportes no governo Lula, é acusado de receber 950.000,00 reais de Marcos Valério, valendo-se de assessores para ocultar a origem do dinheiro, e intermediou a compra de apoio político do PTB. Ele responde por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A Procuradoria também aponta o papel de Adauto, do PL (depois PR), no acerto feito entre PT e PTB para a continuidade do mensalão. Conforme a denúncia, Adauto foi procurado pelo também mineiro Romeu Queiroz (PTB-MG) em busca de um canal para restabelecer os pagamentos acertados com José Carlos Martinez, o antigo presidente do partido, morto em outubro de 2003. Após a intermediação de Adauto, o dinheiro voltou a encher os bolsos dos petebistas, agora liderados por Roberto Jefferson. Hoje, é prefeito de Uberaba, em Minas Gerais.

Diário do julgamento

Acompanhe abaixo, dia a dia, as imagens, as frases, os comentários e as decisões que marcarão o julgamento dos 38 réus do processo.

Já Paulo Rocha recebeu 820 000 reais, em oito parcelas, parte do que teria sido usado em favor dos diretórios do PT e PSB no Pará. Os saques realizados em favor de Paulo Rocha constam de recibos informais e testemunhos. A assessora Anita Leocádia e o próprio Paulo Rocha admitiram em juízo o recebimento de 620 000 reais. Parte do dinheiro, 200 000 reais, foi entregue a Anita pelo próprio Marcos Valério em um hotel de São Paulo. Outro assessor, Charles Santos Dias, diz ter recebido mais 200 000 reais em uma agência do Banco Rural de Belo Horizonte. Renunciou ao mandato ainda em 2005 para escapar da cassação e reelegeu-se deputado federal em 2006. Responde por lavagem de dinheiro.

O petista Professor Luizinho recebeu 20.000 reais do valerioduto e ocultou sua origem. O assessor José Nilson dos Santos admitiu ter realizado o saque em uma agência do Banco Rural em São Paulo, e Marcos Valério disse ter autorizado o pagamento a mando de Delúbio Soares. Escapou da cassação, mas não conseguiu se reeleger em 2006. Não conseguiu sequer ser eleito vereador de Santo André, no ABC Paulista, em 2008. Responde por lavagem de dinheiro.

João Magno recebeu 360 000 reais do valerioduto e ocultou a transação valendo-se de um assessor e do tesoureiro de sua campanha para prefeito de Ipatinga, em 2004. Tanto os assessores como o ex-deputado admitem que receberam dinheiro do valerioduto. Magno diz ter acertado a negociação pessoalmente com Marcos Valério, por orientação de Delúbio Soares, e diz que só não declarou os valores porque não recebera do então tesoureiro do PT a documentação necessária – o que foi feito após o escândalo. Livrou-se da cassação em fevereiro de 2006, em votação comemorada pela colega Ângela Guadagnin (PT-SP) com a famigerada dança da pizza. É acusado de lavagem de dinheiro.

Quando assessora de Paulo Rocha, Anita Leocádia recebeu 620.000 reais do esquema em nome do deputado federal. Ao contrário de outros laranjas, Anita “agia profissionalmente como intermediária de Paulo Rocha, tendo ciência que estava viabilizando criminosamente o recebimento de valores em espécie”, segundo a Procuradoria. Responde por lavagem de dinheiro.