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STF homologa delação premiada de Alberto Youssef

Agora, um dos principais delatores do petrolão poderá receber os benefícios judiciais. Pedidos de investigação contra políticos serão feitos em 2015

Por Laryssa Borges 19 dez 2014, 12h35

(Atualizada às 15h13)

O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki homologou nesta sexta-feira o acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef, caixa do petrolão e um dos principais colaboradores das investigações sobre o escândalo. Agora, Youssef passa a receber benefícios judiciais em troca das informações que prestou às autoridades. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também fechou acordo de delação, passou para o regime de prisão domiciliar quando teve o acordo homologado.

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Nos vários depoimentos que prestou, Youssef detalhou o esquema de pagamento de propina a políticos e então diretores da Petrobras, além de elucidar o esquema de fraudes em licitações da estatal. Também disse que empreiteiras envolvidas no escândalo repassaram dinheiro desviado da Petrobras para a campanha presidencial do PT em 2010 e simularam contribuições legais para ocultar a fraude. O doleiro ainda implicou no escândalo a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, conforme revelou VEJA.

Em seu acordo de delação premiada, ao implicar parlamentares, Youssef detalhou em depoimento ao Ministério Público Federal que deu 1 milhão de reais à campanha que elegeu Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Gleisi foi também chefe da Casa Civil no governo da presidente Dilma Rousseff até o início desde ano, quando deixou o Executivo para disputar o governo do Paraná. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o doleiro apresentou, além do caso de Gleisi, o nome de outros 27 políticos, incluindo o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci.

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Essa não é a primeira vez que Youssef celebra um acordo de delação premiada. Em 2004, o doleiro foi um dos colaboradores das investigações do esquema do Banestado. O acordo, porém, foi suspenso porque ele descumpriu regras firmadas com o Ministério Público e voltou a praticar crimes.

Apontado como pivô do esquema, o doleiro foi preso em março, quando deflagrada a Operação Lava Jato. Bem relacionado com políticos, Youssef tinha estreito contato com parlamentares, entre eles os deputados André Vargas (Sem partido-PR), cassado na semana passada, e Luiz Argôlo (SD-BA). Alberto Youssef assinou em setembro o acordo de delação premiada para colaborar com as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre o megaesquema de desvio de recursos públicos na Petrobras. No dia 24 de setembro ele prestou o primeiro depoimento no acordo judicial.

Em depoimento à Polícia Federal, a contadora do doleiro, Meire Poza, já havia detalhado as negociações – reveladas por ela em entrevista a VEJA – entre Youssef, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado André Vargas (sem partido-SP) para obtenção de apoio político para que o doleiro pudesse fazer negócios com os fundos de pensão dos Correios e da Caixa Econômica Federal. Youssef, pivô do bilionário esquema de lavagem de dinheiro desarticulado pela Operação Lava Jato, queria que os fundos das estatais injetassem 50 milhões de reais em uma de suas empresas e, segundo Meire, tratou pessoalmente com Renan do aval do PMDB para a negociação.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai esperar a volta do recesso do Judiciário, em fevereiro, para encaminhar ao Supremo os pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares e autoridades citados nas delações de Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. Ele informara que, com a análise das delações, já tinha elementos suficientes para pedir ao STF o “desmembramento” dos casos. Permanecerão no Supremo inquéritos contra parlamentares, autoridades com prerrogativa de foro e casos em que a atuação no esquema estiver diretamente ligada aos políticos.

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