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STF encerra a fase de defesas e relator começa a ler voto

Nesta quarta, falarão os últimos três advogados, entre eles o do publicitário Duda Mendonça, que assumiu ter recebido 12 milhões de reais do valerioduto

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerra nesta quarta-feira a fase do julgamento do mensalão destinada às defesas dos 38 réus. Os últimos três advogados a falar serão os representantes do publicitário Duda Mendonça, da publicitária Zilmar Fernandes, ex-sócia de Mendonça, e de José Luiz Alves, ex-assessor do então ministro Anderson Adauto.

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Mendonça assumiu ter recebido mais de 12 milhões de reais do valerioduto como pagamento pelo serviço que prestou à campanha que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2002. Desse total, cerca de 10,8 milhões foram pagos por meio de uma conta nas Bahamas.

Acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Duda alega que não tinha alternativa senão receber os recursos da forma apresentada pelo PT. Ainda assim, a defesa diz que não houve evasão de divisas porque os valores recebidos já estavam no exterior e alega que os valores são fruto de um serviço efetivamente prestado. Zilmar Fernandes também admitiu ter participado da negociação.

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José Luiz Alves, por sua vez, é acusado de sacar 600 000 reais e repassá-los a Anderson Adauto, que, na época, pertencia ao PL. Hoje, o ex-ministro é prefeito de Uberaba (MG) pelo PMDB. O tempo restante da sessão desta quarta-feira, cerca de duas horas, será usado para que o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, inicie a leitura de seu voto sobre o caso. O documento tem mais de mil páginas. A leitura deve prosseguir na sessão de quinta-feira e pode se estender pela semana que vem. Depois, será a vez do ministro revisor, Ricardo Lewandowski, apresentar o seu voto. Só aí é que a corte começará a definir as sentenças.

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O jogo está sendo jogado, e estamos acompanhando a atuação de alguns protagonistas. Ninguém, no entanto – nem mesmo Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Tóffoli, tão explícitos nos seus respectivos papéis – tem se comportado de forma tão deletéria para a reputação da Casa como Marco Aurélio Mello. Já o tive na conta de um homem independente, mesmo quando discordei radicalmente de suas opiniões – e cito o caso do terrorista Cesare Battisti. Quando gostei, elogiei. Hoje, critico-o duramente. E não porque desconfie que vá discordar de seus votos.

Marco Aurélio – chamo-o pelo prenome para distingui-lo do outro Mello, o Celso, que o antecede – decidiu se comportar como ombudsman de seus colegas. Como não lhe cabe o papel oficial de crítico de seus pares, como essa função não está prevista do Regimento Interno da Casa, então ele evita a seara técnica e prefere trilhar o caminho da ironia – que ee pretende sutil, mas que é notavelmente grosseira. Não passa dia sem que dê declarações descabidas e impertinentes à imprensa, tendo sempre seus parceiros de STF como alvos. E, quase invariavelmente, anuncia que o “clima não está bom”, como se não fosse ele um dos incentivadores de rusgas e confrontos.