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STF determina transferência de André Esteves para presídio no Rio

A saída do banqueiro ocorreu às 22h18 desta quinta-feira, em um comboio de veículos da polícia. Antes da entrada no presídio, ele passou pelo Instituto Médico Legal (IML), para fazer exame de corpo de delito

Por Laryssa Borges 26 nov 2015, 19h07

O ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira a transferência do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, da carceragem da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro para o presídio Ary Franco. O pedido havia sido feito pela PF, que alegou que não teria condições de manter o executivo detido na carceragem.

A saída de Esteves ocorreu às 22h18 desta quinta, em um comboio de veículos da polícia. Antes da entrada no presídio, ele passou pelo Instituto Médico Legal (IML), para fazer exame de corpo de delito

André Esteves teve a prisão temporária decretada por ordem do próprio Teori e foi detido na manhã de ontem. Em acordo de delação premiada, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse que o banqueiro pagou propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL) em um contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo. Os postos pertenciam conjuntamente ao BTG e ao Grupo Santiago. A descrição de trecho da delação de Cerveró foi anexada em despacho do ministro do STF sobre os pedidos de prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), do advogado Edson Ribeiro, do chefe de gabinete Diogo Ferreira e do próprio André Esteves. O banqueiro também é suspeito de oferecer dinheiro para comprar o silêncio de Cerveró para evitar que o ex-diretor fizesse acordo de delação com a Justiça.

“Nestor Cerveró descreve a prática de crime de corrupção ativa por André Esteves, por meio do Banco BTG Pactual, consistente no pagamento de vantagem indevida ao Senador Fernando Collor, no âmbito de contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo, que pertenciam conjuntamente ao Banco BTG Pactual e a grupo empresarial denominado Grupo Santiago”, diz trecho de um documento da procuradoria-geral da República. Na delação, o ex-dirigente também narra que o senador Delcídio recebeu propina tanto na aquisição de sondas pela Petrobras quanto na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos.

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Possíveis referências a Esteves também haviam surgido em um bilhete do empreiteiro Marcelo Odebrecht apreendido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Num trecho do texto, Odebrecht diz a seus defensores: “Destruir email sondas”. Para os investigadores, o bilhete poderia representar uma ordem para a destruição de provas. Essa ordem seria motivo para que Odebrecht tivesse sua prisão estendida – pois seria uma tentativa de obstruir a investigação. Para os advogados do empresário, o uso de destruir era metafórico: Odebrecht apenas os orientava a desconstruir a acusação de ter superfaturado contratos com a Petrobras.

No mesmo bilhete aos advogados, Marcelo Odebrecht anota: “história de iniciativa André Esteves. Lembrar que naquela época sete Petrobras off balance, portanto ajudar Sete era visto como ajudar Petrobras”. A Sete citada pelo empreiteiro é a Sete Brasil, empresa criada para construir sondas para exploração do petróleo do pré-sal e implicada nas investigações da Lava Jato.

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