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STF conclui votação sobre lavagem e inicia crime de quadrilha

Ministros vão terminar de votar a acusação de lavagem de dinheiro contra ex-deputados antes de começar julgamento sobre formação de quadrilha

Mais de dois meses após o início do julgamento do mensalão, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem começar a definir nesta quarta-feira quem foram os políticos que, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se aliaram a empresários e banqueiros para cometer o rosário de crimes que maculou o governo Lula e quase custou a reeleição do petista.

Até o momento, os ministros da corte confirmaram que o mensalão reuniu os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e gestão fraudulenta. Também atestaram haver quadrilhas paralelas no esquema do valerioduto, como a que levou à condenação do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), cujo grupo embolsou mais de 8 milhões de reais do esquema criminoso. Falta ao STF, porém, dizer quem foi o chefe da quadrilha.

Para o Ministério Público Federal, responsável pela acusação, não há dúvidas: coube ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu a orquestração de todo o esquema. “Partindo de uma visão pragmática, que sempre marcou a sua biografia, José Dirceu resolveu subornar parlamentares federais, tendo como alvos preferenciais dirigentes partidários de agremiações políticas”, diz o MP nas alegações finais encaminhadas ao tribunal.

Na sessão que vai definir se Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, e o ex-presidente da legenda José Genoino integravam a quadrilha do mensalão, os ministros voltam a analisar as argumentações das defesas dos réus de que o ex-todo-poderoso ministro, assim que assumiu um cargo de confiança no recém-eleito governo Lula, deixou de lado suas funções de dirigente do Partido dos Trabalhadores. “Embora tenha afastado-se formalmente do partido, manteve-se de fato no seu comando, utilizando-o para viabilizar o esquema ilícito de cooptação de apoio político no Congresso Nacional”, afirma o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao pedir a condenação dos três dirigentes petistas.

Além do trio, também figuram como réus por formação de quadrilha nesse capítulo da denúncia o publicitário Marcos Valério, seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, seus funcionários Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias, além dos executivos do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane.

Lavagem de dinheiro – Antes de analisar a imputação de formação de quadrilha contra os 13 réus, os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, terminam de julgar a acusação de lavagem de dinheiro contra os ex-deputados petistas Paulo Rocha (PT-PA) e João Magno (PT-MG) e contra o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Esse trecho só não foi concluído anteriormente porque Mendes estava em viagem oficial a Veneza, na última semana. Na ocasião, os dois outros ministros decidiram aguardar o magistrado retornar ao plenário para também votarem sobre o caso. O placar, nesse caso, está em 5 a 2 a favor dos petistas e pode terminar empatado.