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SP: Alinhamento com Bolsonaro e propostas curiosas marcam primeiro debate

Russomanno e Covas foram os alvos preferenciais de ataques dos adversários; questões nacionais como o auxílio emergencial permearam as discussões

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 2 out 2020, 03h57 - Publicado em 2 out 2020, 01h39

Os primeiros debates televisivos costumam dar o tom de como será a campanha eleitoral. Nesta quinta-feira, dia 1, ficou claro que a disputa à prefeitura de São Paulo será marcada por questões nacionais e pela polarização entre quem é a favor ou contra o presidente Jair Bolsonaro.

Martelando a todo tempo a sua amizade com o presidente da República, o candidato do Republicanos, Celso Russomano, foi o alvo preferencial dos ataques dos demais adversários, sobretudo dos candidatos Joice Hasselmann (PSL) e Arthur do Val (Patriota), que disputam o voto mais conservador do eleitorado paulistano. Eles lembraram o apoio passado de Russomanno a governos petistas e a suspeita de que recebeu caixa dois da Odebrecht. O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, o taxou de “puxa saco” de Bolsonaro.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Russomanno citou o seu programa de !defesa do consumidor” e tentou se grudar ao presidente.  Em tons dramáticos, descreveu até o último encontro que teve com ele. “Ele pegou no meu braço e disse: Celso, cuide de São Paulo”.

O candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB), que está em segundo lugar nas pesquisas, também foi bastante atacado, principalmente pelo seu ex-colega de partido Andrea Matarazzo (PSD). O ex-tucano citou o custo de 93 milhões de reais com a reforma do Vale do Anhangabaú e a ligação do seu ex-secretário de Cultura, Alê Youssef, com a esquerda. No rebate, Covas chamou o ex-colega de partido de “amargo” e depois lembrar do apoio que recebeu da ex-prefeita Marta Suplicy, que na última eleição foi companheira de chapa de Matarazzo. Justificando os gastos, ainda prometeu transformar o Anhangabaú numa “nova Avenida Paulista” da cidade.

Aliás, além da questão nacional – o auxílio emergencial, a reforma da previdência e até a proximidade ou não com o ministro do meio Ambiente, Ricardo Salles, foram lembrados -, não faltaram propostas no mínimo curiosas – como “capacete tecnológico” para evitar acidentes de moto (de Joice Hasselmann), o programa “jovem capitalista” para “ensiná-los a ganhar dinheiro” (de Arthur do Val) e um centro esportivo destinado aos gamers (de Celso Russomanno).

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Melhor colocado no campo da esquerda (3º lugar, no geral), Boulos chegou ao debate pedindo o voto útil como o “única” opção capaz de derrotar o que chamou de BolsoDoria (no caso, um segundo turno entre Russomanno e Covas). “Eu fui um dos que mais lutou pela unidade da esquerda. Infelizmente, não aconteceu “, disse ele, antes de entrar no estúdio. E, nas considerações repetiu o mantra  BolsoDoria e se escorou no apoio da sua vice, a ex-prefeita Luiza Erundina.

Jilmar Tatto (PT), que patina na parte de baixo das pesquisas, apostou na tentativa de se colar ao ex-presidente Lula. “Muito orgulho de ter o apoio do Lula que foi o presidente que mais fez por este país”. E, otimista, declarou que o PT é o “partido da chegada” ao tentar justificar o fato de ter apenas 2% das intenções de voto.

Assim como as constantes menções ao governo Bolsonaro, também foram lembradas as gestões do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e do atual governador João Doria (PSDB). Márcio França (PSB) e Russomanno fizeram, por exemplo, uma dobradinha para criticar o revezamento de PT e PSDB no comando de São Paulo.

O debate ainda teve dobradinhas inesperadas, como Bruno Covas (PSDB) com Orlando Silva (PCdoB) para falar da questão racial; Márcio França (PSB) com Arthur do Val (Patriota) para discorrer sobre creches; e Filipe Sabará (Novo) e Marina Helou (Rede) para discutir propostas de meio ambiente.

O debate realizado na TV Bandeirantes foi marcado por alguns ineditismos em comparação ao de pleitos anteriores. Compareceram 11 dos 14 candidatos (dois deles mediante recurso na Justiça) e as medidas restritivas de prevenção contra a Covid-19. Os políticos ficaram no palco de máscara e só a tiravam para responder aos questionamentos. Não havia plateia. Com forte efetivo da Polícia Militar no lado de fora do estúdio, as militâncias também não compareceram.

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