‘Sou um pragmático’, diz Tarcísio sobre adesão ao bolsonarismo
Atual governador de São Paulo e candidato à reeleição foi sabatinado por VEJA nesta quarta-feira, 26
O governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse nesta quarta-feira, 26, durante a sabatina de VEJA, que se considera um “pragmático” ao ser questionado sobre a sua adesão ao bolsonarismo. Aliado fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-membro de seu governo, Tarcísio é constantemente alvo de fogo amigo por não ser considerado um bolsonarista “raiz”. Ele foi sabatinado pela apresentadora Marcela Rahal e pelos editores de VEJA José Benedito da Silva e Robson Bonin, da coluna Radar.
“Eu sou um pragmático. O que é a minha ideologia? São as pessoas. Eu quero resolver o problema das pessoas, até pela formação que eu tenho, o que eu fiz da vida toda. A engenharia é para isso, para dar solução a problemas, resolver problemas. É isso que a gente faz no canteiro de obras, todos os dias, e foi assim que eu fui formado. Eu estou preocupado, por exemplo, se os nossos indicadores de vacinação estão crescendo”, disse o governador.
Ele mencionou, em seguida, a distribuição de verbas para a gestão de saúde dos municípios e a ampliação da cobertura vacinal. Especialmente durante a pandemia da covid-19, uma boa parte da ala mais dura do bolsonarismo foi contra a vacinação, discurso que voltou à pauta recentemente. Vários aliados do ex-presidente publicaram vídeos questionando o sucesso da vacinação e até a existência da pandemia que deixou mais de 700 000 mortos só no Brasil.
Ainda nessa mesma resposta à sabatina, Tarcísio disse que é alinhado a várias pautas que são importantes para o bolsonarismo. “Estamos buscando, por exemplo, um estado mais enxuto, mais participação do capital privado, um estado menos burocrático, um estado mais digital, um estado mais dinâmico, onde o investidor aqui possa ter um porto seguro, possa ter a tranquilidade para fazer os seus negócios. Em muitos aspectos eu tenho uma linha muito aderente àquela defendida pelo bolsonarismo, e em outros não”, argumentou.
Antes do início da campanha, quando os nomes dos candidatos ainda estavam sendo definidos, o nome de Tarcísio foi cotado como possível presidenciável, o que o colocou na mira dos aliados mais próximos do ex-presidente, que queriam um candidato da família — como é o senador Flávio Bolsonaro.
‘Aliança com o povo’
O governador também foi questionado sobre a neutralidade do Republicanos, seu partido, na cena nacional. Flávio tentou, até o último minuto, trazer essa e outras siglas do centrão, o que lhe traria mais tempo de TV e mais recursos do fundo eleitoral. Tarcísio respondeu que vários parlamentares do seu partido estão engajados com a candidatura do filho de Jair Bolsonaro e que é necessário “estabelecer uma aliança com o povo”.
“Temos regiões do Brasil que são muito diferentes do ponto de vista de alinhamento. Deputados do nosso partido que no Nordeste e no Norte estão mais alinhados ao presidente Lula; e que no Sudeste e no Sul estão mais alinhados ao projeto do Flávio Bolsonaro. Para deixar esses parlamentares à vontade, o partido, do ponto de vista nacional, preferiu a neutralidade. Isso já aconteceu também com outros partidos. A grande aliança que a gente precisa estabelecer é a aliança com o povo. A gente precisa mostrar qual é o rumo que o Brasil está tomando e qual é o rumo que a gente pode tomar”, disse na sabatina desta quarta.







